El Jardin e Guatapé (COL) – dois belos pueblitos paisas perto de Medellin

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Quando se está na Colômbia, não é incomum ouvir alguém chamar outra pessoa de paisa ou paisano. Essa é a alcunha dada a quem vive no departamento de Antioquia, cuja mais famosa cidade é Medellin, a segunda maior do país.

Os dois pueblitos paisas mais famosos são Guatapé e Santa Fé (este último, não conheci). Guatapé é uma espécie de Búsios colombiano: jogadores de futebol como James Rodrigues possuem casas em uma das ilhas da represa, como também Pablo Escobar tinha há décadas. A cidade fica a cerca de duas horas de Medellin e, se o tempo de viagem for curto, é possível e indicado fazer aquele bate-volta em um dia.

El Jardin é menos famosa por parte dos estrangeiros e se encontra um pouco mais longe de Medellin – são de quatro a seis horas de viagem, dependendo do ônibus que pegar. Não possui uma estrutura turística como Guatapé, o que a faz uma cidade paisa ainda mais bela e autêntica.

Muito importante: Medellin possui dois terminais, o norte e o sul. Para ir a Guatapé, é preciso ir ao terminal norte (COP 6.500). Já o transporte para El Jardin sai do terminal sul, com passagens a partir COP 22.000.

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Praça de El Jardin

El Jardin

Não conheci a famosa igreja de sal de Zaquiperá, cidade que fica pertinho de Bogotá. Mas das dezenas que conheci na Colômbia, posso dizer com toda a certeza que a mais bela é a de El Jardin, toda construída com pedras e “sangue de touro”. E a cidade em si é linda, toda colorida, com muitas flores na praça, pelas ruas e suas casas de fachadas coloridas.

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Igreja de El Jardin, uma das mais belas da Colômbia

El Jardin está encravada em um vale, entre dois rios, e é um local muito fértil. São diversos charcos (balenários), cachoeiras e cuevas (cavernas) que podem ser visitadas nos arredores do pueblito. Nos meus três dias na cidade, tomei muito café na praça (a 500 pesos, o mais barato do país), comi bem (não tão barato quanto os outros lugares) e fiz duas caminhadas a pé pelas montanhas da cidade.

Subindo pelo teleférico Garrucha

Um dos passeios que vale fazer é o da “garrucha”, um teleférico que atravessa a cidade e leva até a montanha que fica em um dos lados do rio. A viagem custa COP 5.000 e é feita de hora em hora. Do outro lado, se tem a vista de toda El Jardin. Chegando lá em cima, pegue o lado esquerdo para voltar a cidade. São pouco mais de uma hora de caminhada, por uma estrada de terra que passa por charcos e cachoeiras. O caminho está apinhado de árvores frutíferas, como goiabas, ameixas e café, muito café.

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A cidade de El Jardin vista do teleférico da Garucha

O cristo rey e o morro da cruz

No morro do outro lado, fica a “cruz” e o “cristo rey”. Ida e volta, são quase quatro horas de caminhada. Para chegar ao Cristo Rey, basta pegar a rua ao lado esquerdo da igreja e seguir até o fim dela, quebrando para a esquerda novamente. Depois de meia hora de caminhada por uma estrada de terra, atravessa-se um rio por uma ponte e segue-se pela rua que costeia o riacho, em direção à cidade. Há um teleférico que leva para o topo da montanha, porém, na oportunidade que estive na cidade, não estava em funcionamento.

A entrada para a trilha que leva à cruz fica cinco minutos antes de se chegar ao Cristo Rey para quem vem caminhando desde a cidade. Minha dica é conhecer a estátua primeiro, voltar e subir em direção ao topo da montanha. Aqui fica meu “momento vergonha”: são treze cruzes, sendo a 13ª a localizada mais ao topo do morro. Ao chegar na 12ª fica, você irá se encontrar em um campo aberto. Caminhei por todos os lados e não consegui achar a trilha para a 13ª! Me disseram que era só seguir a trilha, porém não encontrei.

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Uma das paisagens que se vê ao subir até o mirador da Cruz

O tempo estava fechando e muitos raios caindo atrás dos morros próximos, o que me forçou a desistir da busca e voltar. Não seria uma boa ideia ficar em campo aberto naquele momento.

Onde ficar em El Jardin

A maioria dos hostels se encontram no entorno da praça principal e são bem caros. Porém, baixando uma quadra é possível encontrar habitações econômicas. Fiquei em um hotel “clandestino”, indicado por uma moradora, por COP 20.000. Não lembro o nome do hotel, mas do dono se chamava Efrain. Sendo uma cidade pequena, todos devem conhecê-lo.

Lembre-se que a cidade está fora da rota de turistas extrangeiros, porém dentro do turismo nacional e, como não há muita estrutura, as hospedagens TODAS podem estar lotadas em um final de semana. Conheci um casal de suécos que chegou em um feriado e não encontrou hotel para ficar, porém foram recebidos na casa de um morador local. E todos são muito simpáticos e acolhedores na cidade.

Onde comer barato

Essa foi uma tarefa difícil. Por onde andava, os menus custavam acima de COP 12.000. Encontrei um restaurante chamado Pollo Mario, que fica descendo a Carrera 3, a umas duas quadras da igreja principal. Meia bandeja paisa custava COP 7.500 e dava muito bem para uma pessoa.

O clima e o que vestir

El Jardin é uma cidade mais chuvosa se comparada com outras da Colômbia, principalmente no verão. Porém, da mesma forma que as demais localidades, as chuvas não costumam se prolongar. Também é um local um pouco mais frio, e pode ser necessário utilizar um casaco um pouco mais grosso, principalmente na noite. A temperatura média gira em torno dos 25º.

 

Guatapé

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As coloridas ruas de Guatapé

A cidade é conhecida por dois motivos: a construção de uma represa alagou grande parte do território de Guatape e El Peñol e formou um lindo lago, com diversas ilhas, que pode ser melhor visto de cima de uma grande pedra. Depois, tem um apelo turístico forte por ser o local onde Pablo Escobar tinha uma fazenda. Ainda é possível visitá-la, mas foi queimada e não sobrou muito. Guatapé é mais turística que El Jardin, consequentemente os preços são mais caros. Ao mesmo tempo, diferente de El Jardin, há hostels e outras opções mais econômicas para se passar a noite.

A praça de Guatapé é muito bonita e a cidade toda é colorida. A principal atração é subir na pedra (que chamam erroneamente de El Peñol –  esse é o nome de uma cidade próxima) para ver o lago e as ilhas de um mirador. A entrada ao peñol custa COP 15.000. As moto-taxis cobram caro (mais de COP 15.000), mas é possível pegar um ônibus de linha por COP 2.000 ou ir caminhando: são quarenta minutos da cidade. Se você vem de Medellin e não pretende passar a noite em Guatapé, poupe tempo. Peça ao condutor para parar na pedra e vá conhecê-la de cara. Lembre-se: parar na pedra, e não no Peñol, que é o nome da cidade localizada antes de Guatapé. Na volta, basta ir caminhando, esperar o bus de linha na estrada ou tomar um taxi.

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O que sobrou da fazenda de Pablo Escobar

O outro passeio que fiz foi de lancha pelo lago da represa, para ver o que sobrou da fazenda do Pablo Escobar (acima) e conhecer as ilhas de perto. Custou COP 12.000 por uma hora, mas foram, na verdade, 45 minutos no lago. Para visitar a fazenda, é preciso pagar COP 5.000.

Onde comer barato em Guatapé

Os restaurantes mais caros estão concentrados na orla da represa, mesmo assim, se você estiver em um grupo de três ou mais pessoas e for comer o menú, é possível almoçar e jantar por COP 7.000. Os lugares mais econômicos estão em volta da praça, onde é possível encontrar pratos a partir de COP 9.000.

Onde se hospedar em Guatapé

Acabei me hospedando por COP 15.000 em uma casa de família, há uns 20 minutos de caminhada da praça principal, depois de uma ponte. Além de ser um tanto afastado do centro, o lugar era um pouco perigoso e escuro, por isso não aconselho. As hospedagens mais caras estão no entorno da praça, porém, se afastando uma quadra delas, já é possível encontrar habitações a partir de COP 25.000. Esse preço pode aumentar em finais de semanas e na alta temporada.

O clima e o que levar para Guatapé

Os meses com maior chance de precipitação são de julho a novembro. Porém, as chuvas não costumam ser prolongadas, durando no máximo um dia. O clima é bem agradável: pelo fim da manhã e começo da tarde, a temperatura pode chegar aos 30º, não mais que isso, baixando na noite, porém não o suficiente para que se roupas mais grossas. Uma camisa de manga comprida dá conta do recado.

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Em cima da pedra, fica o mirador para o lago da represa

Custos

El Jardin

Passagem desde Medellin: COP 22.500
Hotel: COP 25.000
Prato de comida (meia bandeja paisa): COP 7.800
Xícara de café na praça: COP 500

Guatapé

Passagem desde Medellin: COP 6.500
Habitação em casa de família (acabei conseguindo em condições melhores que um hostel): COP 15.000
Prato de comida: entre COP 7.000 e COP 9.000 (negociado)
Passagem até a pedra de ônibus: COP 2.500
Entrada para o mirador da pedra: COP 15.000
Passeio de barco pelo lago: COP 12.000

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