Camiño Real (COL): um trekking pelo Cânion del Chicamocha

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Esse é um trekking que tem dois atrativos: primeiro, visitar povos históricos colombianos, percorrendo, em grande parte do trajeto, uma estrada de pedras utilizada há mais de 200 anos. Depois, descer paredes do cânion del Chicamocha de Vilanueva até Jordan, e subir para sua outra encosta até La Mesa de los Santos.

São cerca de 30 quilômetros e todas as cidades pelas quais se passa (Barrichara – Guane – Vilanueva – Jordan – Los Santos) possuem locais para dormir a partir de COP 20.000. Fiz todo o percurso em dois dias, entretanto voltei a San Gil depois de percorrer o trecho Barichara – Guane – Vilanueva. No dia seguinte, terminei o percurso Vilanueva – Jordan – Los Santos.

Ainda é possível estender a rota por mais seis quilômetros, começando por Cabrera e subindo até Barichara.

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A Estrada Real colombiana

Há mais de 200 anos, uma estrada construída por um alemão – Geo von Lengerke -, uniu diversos vilarejos da Colombia. Primeiro, as ruas percorriam o departamento de Santander. Depois, se estenderam de Bogotá a Cúcuta, entrando na Venezuela, com outras duas ramificação. Uma, ao sul, seguia para Medellin e a segunda, ao norte, para Cartagena. Parte do Camiño Real ainda está preservado e andar por ele é uma das formas mais interessantes de se conhecer diversas cidades que estão entre Barichara e Los Santos.

1º dia, trecho 1: Barichara – Guane

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A primeira parte da caminhada, de cinco quilômetros, consiste em descer de Barichara até Guane. Vale a pena ficar um pouco mais em Barichara para conhecer o pequeno vilarejo, cujas ruas de pedra e casas de barro, pintadas de cal branca, continuam preservadas. Existem quatro igrejas, um mirador e um jardim de pedras que valem a pena serem conhecidos. Sem falar que caminhar desorientado pelas ruas é uma boa experiência.

Para reforçar que você deve passar algumas horas em Barichara: ela volta e meia aparece em uma daquelas listas de dez pequenas cidades mais bonitas do mundo.

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O trecho até Guane é percorrido em cerca de uma hora e meia, dependendo da hora, e várias placas na cidade indicam seu início. Entre às 10h e às 15h, o calor pode chegar aos 40º, deixando o percurso bem mais difícil. Quase no meio do caminho há uma fazenda onde pode-se comprar água, refrigerantes e cerveja, porém pode não estar aberta. O camiño real está todo preservado nesse trecho e é preciso cruzar a estrada de asfalto duas vezes.

1º dia, trecho 2: Guane – Vilanueva

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Guane era o nome dos indígenas que viviam na região e foram praticamente extintos após 50 anos de civilização espanhola. O vilarejo é menor que Barichara, mesmo assim oferece restaurantes (todos vendem sempre a mesma coisa: uma sopa de entrada, seguido de um prato com arroz, feijão, mandioca, cebola, tomate e uma carne). O típico é comer a carne oreada (defumada), frita após algumas horas na fumaça.

Em Guane, vale a pena tomar uma chicha de maiz e visitar o museo paleontológico, onde há vários fósseis de crustáceos, além de cerâmicas, tapeçarias guanes e objetos trazidos pelos primeiros espanhóis que se estabeleceram na América do Sul.

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Para chegar a Vilanueva, são sete quilômetros. A caminhada é dura: a cidade fica em um ponto 600 metros mais alto que Guane. A trilha inicia atrás da igreja, seguindo reto a rua à esquerda. A primeira parte é por outra parte preservada do caminho real. Depois toma-se uma estrada de terra, passa-se por um colégio até adentrar em outra trilha. A partir daí, todo o trecho está marcado com fitas e adesivos amarelos, porém a sinalização é para quem faz o caminho contrário. Pense sempre nisso para não ir à direção errada.

Ao deixar o caminho de pedras, vai voltar para a estrada, e encontrará uma bifurcação. Siga para a esquerda. Para direita, verá que a ladeira é bem mais íngreme e há uma casa com uma bandeira branca. Se for na direção certa, em no máximo 20 minutos chegará em um colégio. Há marcações amarelas para a direção correta e é uma parte extensa e distância, toda por estrada, até a entrada de uma trilha que vai acabar na rua, também de terra, que leva a Vilanueva.

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Por todo o caminho, há fazendas e pessoas para perguntar. Lembre de levar bastante água, pois são mais de três horas e não há nenhum mercado, venda ou fonte no caminho. No mais, Vilanueva é uma cidade um pouco maior, sem muito valor histórico e não tem muita coisa para fazer. A dica seria dormir para retomar a caminhada bem cedo no outro dia. Minha decisão foi voltar para San Gil, que fica a 20 minutos de ônibus.

2º dia, trecho 1 – de Vilanueva a Jórdan

Novamente, saia com bastante água, pois são 13 quilômetros a percorrer. Leva-se de quatro a seis horas para completá-lo. A maior parte é por estrada e, uns quatro quilômetros após sair de Vilanueva, o trajeto volta a estar marcado com fitas e adesivos amarelos. Para pegar a estrada a Jórdan, pergunte para os locais, mas é fácil de achar. De frente para igreja, pegue a rua que está a sua direita e depois a primeira à esquerda. Depois, siga reto, sempre.

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Duas horas e meia de caminhada, por estrada, chega-se a uma trilha que desce pelo cânion del Chicamocha. Há uma fazenda que vende sucos, água, refrigerantes, porém lembre-se que pode não estar aberta. Peguei o ônibus que saía de San Gil às 6h20 (saem de vinte em vinte minutos, a partir das 5h40). Comecei a caminhar às 6h45 e cheguei em Jordan às 11h. Porém, descansei somente uma vez, parando apenas para tirar algumas fotos.

Deve-se sempre seguir pela estrada principal. Irá passar por um colégio com uma cancha de basquete após 45 minutos de caminhada e, duas horas depois, por um pequeno vilarejo, localizado a cinco minutos de onde começa a trilha pelo cânion. Ao passar pelo vilarejo, a estrada se divide em duas. O caminho principal vai por cima e a trilha para Jórdan, por baixo. Há uma placa indicando a direção.

É preciso cruzar quatro cercas, lembre-se sempre de fechá-las. São 1400 metros de descida até Jórdan, por muitas rochas e um clima árido. Vê-se muitas cabras nas encostas das montanhas. Todo o trecho está marcado a partir daí, basta seguir os totens amarelos.

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2º dia, trecho 2 – de Jórdan até Los Santos

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Jórdan é o menor vilarejo pelo qual se passa, porém há uma estrutura mínima para turistas. É possível comprar água, refrigerante, cervejas…Descanse, compre água se não tiver muita e prepare-se para a parte mais dura da caminhada. São quatro quilômetros até Los Santos, saindo dos 0 metros ao nível do mar até os 1300.

Para pegar a trilha, atravesse o rio da praça de Jórdan por uma ponte branca, ao estilo colonial, muito antiga. Depois, basta seguir a trilha.

Grande parte da subida preserva o camiño real, porém não pense que será fácil por isso. Fiz esse trecho entre às 11h até às 13h45, pois queria voltar a San Gil no mesmo dia. O último ônibus que sai de Los Santos até Los Curos, cidade à beira da estrada onde passam os ônibus a San Gil, parte às 15h30, pelo que me informaram. Mesmo com chapéu e uma camisa de algodão de mangas largas, o calor foi sufocante e os dois litros de água que levei para fazer o trajeto acabaram logo após a metade da subida.

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Los Santos é a maior cidade pela qual se passa e possui, inclusive, um hostel. Há algumas trilhas para fazer por lá e pode ser interessante passar a noite. É considerada a cidade que treme: dizem que todos os dias, pelo menos um pequeno terremoto pode ser sentido por quem está no local.

Para voltar, é necessário pegar um ônibus para Los Curos e depois outro para San Gil. Outra opção é seguir para Bucaramanga e descer a San Gil, o que deixa a brincadeira uns COP 15.000 mais cara.

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Logística

Para chegar a Barichara, é preciso pegar um ônibus da oficina da Transangil, por COP 3.200. A viagem dura de 20 a 30 minutos. A Vilanueva, são COP 6.500. Para voltar de Los Santos, pegue um ônibus a Piedecuesta, parando depois de duas horas na Carretera 45A, próximo a um colégio. Depois, são mais COP 12.000 no ônibus para San Gil, que demora outras duas horas, porém vale muito a pena, pois sobe-se e desce por outra parte do Cânion del Chicamocha e o visual é espetacular.

Dicas

– Há muitas fazendas e pessoas no caminho. O povo de Santander é muito amigável, por isso não tenha receio de perguntar, sempre que se sentir perdido, o caminho para o vilarejo que vai ir.

– Todos os vilarejos citados possuem lugares para ficar, restaurantes e bares. Porém, não vai encontrar nada nos trechos entre as cidades. Sempre leve bastante água.

– O calor, entre às 10h e às 15h, é sufocante. Não esqueça chapéu, óculos escuros, protetor solar e, se possível, roupas largas e confortáveis, que vão ajudar muito a protegê-lo do sol. Ao meio-dia, espera-se temperaturas de 40º no cânion. Vá com muita água, obviamente. Não custa reforçar.

– As marcações são feitas para quem percorre o caminho a partir de Los Santos, por isso, cuidado para não pegar a direção contrária se estiver fazendo o percurso a partir de Barichara. Particularmente, quase peguei o caminho errado uma vez, pois a marcação indicava a estrada que subia a Vilanueva, de onde estava vindo, e o toten estava do outro lado de uma encruzilhada. Um senhor passava de moto naquele momento, parou e me deu a direção correta.

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Trekking Camiño Real

Dificuldade: Média
Duração: Dois dias
Distância: 35 quilômetros
Custo: COP 41.600 (Passagem San Gil – Barichara = COP 3.600; Hotel Vilanueva COP 20.000; Passagem Los Santos – Los Curos = 5.000; Passagem Los Curos – San Gil = COP 13.000)
Trilha: Maior parte do caminho está bem marcado e se encontra pessoas para pedir indicações

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