Villa de Leyva e Ráchira (COL): coloniais, históricas e próximas a Bogotá

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Não é raro que você esteja caminhando pelas ruas coloniais de Villa de Leyva e, ao olhar para um muro, perceba algo diferente nele. Ali, camuflado nas pedras, fósseis esculpidos há milhares de anos ornamentam as casas, paredes e ruas da cidade.

Villa de Leyva, mais que um sítio arqueológico, é uma das mais antigas cidades fundadas pelos colonizadores espanhóis, em 1573. A imponente praça tem relação direta com sua localização estratégica: é enorme porque era utilizado para reunir as tropas do exército. As ruas de pedras e a maioria das casas, construídas ao estilo espanhol, seguem preservadas.

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O que fazer

O mirador

Como Leyva está localizada em um vale, entre montanhas, há como subir, em alguns pontos, por suas encostas. O mais famoso é um mirador dentro de um parque local, com um cristo de braços abertos a olhar pela cidade. Leva-se cerca de 40 minutos para subir desde a entrada, sem custos. Não esqueça de levar bastante e passar protetor solar.

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Caminho Iguaque

Outro caminho interessante é subir uma montanha que leva ao Páramo de Iguaque. Para atingir seu cume é necessário caminhar mais de duas horas, com 800 metros de aclive, chegando próximo aos três mil metros de altitude. Quando subi, buscávamos duas cascatas, que existem apenas no mapa. Os moradores que encontramos, pelo menos, desconhecem a existência delas. Talvez em época de chuvas.

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Quando estiver subindo, vai encontrar uma placa afirmando que é proibido a subida de turistas. No caso, você está entrando por um parque cuja entrada oficial custa COP 42.000. Entretanto, nenhum dos moradores que estão vivendo na área do parque nos questionaram ou encontramos fiscalização. Os locais, inclusive, nos ajudaram a encontrar o caminho que buscávamos.

Dentro do parque está a famosa Laguna Iguaque. Uma lenda na região diz que uma mulher saiu da lagoa com uma criança. Os dois mantiveram relações carnais e a origem do primeiro homem seria seu filho. Entretanto, para chegar a Laguna, é preciso entrar pelo portão principal do parque. Em razão do preço, acabei não conhecendo.

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Museus de fósseis

Há diversos museus de fósseis na região. A razão é que, milhares de anos atrás, antes da formação da Cordilheira dos Andes, o território era banhado por mar. O surgimento da Cordilheira criou condições perfeitas para a preservação do esqueleto de insetos em folhas, além da fossilização de animais aquáticos primitivos em pedras. Ainda podem ser vistos dinossauros e outros animais pré-históricos nos museus da cidade. Porém, basta ficar atento às antigas calçadas e muros de pedras para ver cefalópodes como os que ilustram a foto abaixo, antigos parentes das lulas e dos moluscos.

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Muro de uma casa em Villa de Leyva

Ráchira

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A bela cidade é conhecida, principalmente, pelas peças feitas em barro. É um local mais em conta que Villa de Leyva para quem tem interesse em comprar artesanatos na região. A cidade também é muito colorida, como vários dos pueblitos colombianos. Para chegar lá, é preciso pegar um ônibus até a entrada da cidade, que custa COP 5.000, e depois um taxi, por COP 2.000. Outra alternativa é alugar uma bicicleta e fazer uma trilha pelas montanhas. Se essa for sua opção, prepare-se: o caminho é duro.

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Você vai cruzar o famoso Deserto de la Candelária, com seu clima árido. Para chegar, são no mínimo seis horas de pedalada e empurrando a bicicleta morro acima, para depois descer rapidamente até a cidade. Para voltar, siga o caminho fácil: a estrada asfaltada que vai até Villa de Leyva. Este trajeto dura pouco mais de duas horas.

Clique aqui e confira o Track Log do trajeto (este é um pouco mais largo, passando pelo Monastério de la Candelária)

Pátio de las Brujas

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No caminho da trilha de bicicleta, encontra-se o Pátio de las Brujas ou Observatório Astronômico de Ráchira. Ganhou a alcunha de “patio de las brujas” pelos espanhóis, que buscavam afastar os nativos do lugar. Dizem que ali, além de fazer previsões a partir da observação das estrelas e do sol, se praticavam cultos e cerimônias Iguaques. Popularmente, é conhecido por “munumento dos falos”, creio que nem preciso dizer porque. Da cidade, para se chegar, somente com taxi, que deve sair por cerca de COP 10.000, ou então uma caminhada de cerca de duas horas.

Monastério de la Candelária

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O primeiro monastério construídos pelos Augustinos na América do Sul está localizado no Deserto de la Candelária que, em verdade, é fértil e não tem muito de deserto nesse trecho. Para chegar, é preciso fazer um trilha de cerca de duas horas montanhas acima – e depois montanha abaixo, ou então ir de taxi, novamente ao custo de COP 10.000. Minha decisão foi por caminhar até lá e depois voltar de taxi. Para entrar dentro do monastério, é preciso pagar COP 10.000 pela visita guiada (não fiz). Mas só de chegar ao local e observá-lo, já vale a pena.

É possível ainda subir a um mirador que fica atrás do Monastério e visitar a “cueva del hermitao”. Muitas pessoas passam alguns dias em retiro no local que, realmente, é muito tranquilo. Nas árvores, se você ir na temporada certa, vai encontrar a “uva camarona” nas árvores.

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Como chegar a Villa de Leyva

A maioria das pessoas chega a Villa de Leyva por Tunja. Porém, se estiver em Bogotá, há ônibus direto para Leyva a partir de COP 20.000. No meu caso, peguei um bus de San Gil a Tunja por COP 22.000, e depois outro de Tunja a Villa de Leyva por COP 6.500.

Onde ficar

Fique no Family Host World, um hostel de muita boa energia que me fez ficar mais que o planejado em Villa de Leyva. O quarto compartilhado estava a COP 20.000 e o camping a COP 12.000.

Onde comer sem gastar muito

Só encontrei um restaurante econômico em Villa de Leyva. Na maioria dos lugares, um prato de comida não sai por menos de COP 15.000. No restaurante econômico, o menu custava COP 6.500. Ele está localizado na Carrera 10, passando a Calle 10 para quem vem da praça principal da cidade.

Custos

Passagem Villa de Leyva – Ráchira: COP 7.000 (COP 5.000 + COP 2.000 do taxi na ida. Na volta, o bus sai da cidade direto a Villa de Leyva por COP 5.000).
Hostel em Villa de Leyva: a partir de COP 20.000
Camping em Villa de Leyva: a partir de COP 12.000
Prato de comida: a partir de COP 6.500 (o mais barato que achei lá)
Aluguel de bicicleta: COP 20.000 o dia (negociado)

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