Dicas para organizar e fazer a primeira viagem ou mochilão

Ser mochileiro não é uma questão de viajar com uma mochila nas costas, e sim como você vai encarar sua viagem. O mochileiro planeja seu roteiro e tem mais liberdade para decidir onde vai se hospedar, o que vai comer e fazer.

Ao mesmo tempo, tem um contato mais próximo com os moradores e a vida da cidade, não ficando restrito aos locais ‘para turista ver’. De preferência, tenta dedicar mais dias para conhecer cada região e opta por fazer uma viagem econômica.

A mochila

A verdade é que a forma como você vai levar suas coisas pouco importa. A mochila é a melhor alternativa por lhe garantir mobilidade e liberdade às duas mãos, que ficam livres. Uma mala pode ser um difícil de carregar dependendo do terreno e até mesmo do seu peso.

Atualmente, há diversas mochilas do tipo ‘cargueira’, com um cinto que passa pela barriga (a barrigueira) e outro pelo peito (a peiteira) e garantem a distribuição do peso sem sobrecarregar os ombros ou as costas.

Antes do mochilão

1. Escolha um destino compatível com seu bolso

Se você não tem um destino definido, é bom pesquisar por lugares que caibam em seu bolso. Por exemplo: é possível encontrar camas em hostel, com café-da-manhã, por US$ 7 na Colômbia. Na patagônia ou mesmo na Europa, essa média gira em torno de US$ 20.

O ideal é que você tenha uma estimativa de gasto médio daqueles gatos que são fixos, como hospedagem, comida e transporte. A internet facilita muito esse serviço, pois há muito informação. Mesmo que não atualizada, é possível ter uma estimativa.

2. Faça um roteiro adequado ao tempo que você tem para viajar

Você quer conhecer Paris ou a Torre Eifel? A Torre Eifel é necessário apenas um dia, mas para Paris, você precisará reservar muito mais tempo. Talvez essa seja o grande erro que as pessoas cometem ao fazer seu roteiro. Querem conhecer o maior número de cidades possível. No fim, passam a maior parte do tempo dentro de ônibus, aviões e trens e dão apenas passadas rápidas por cada lugar.

O aconselhável é que se fique, pelo menos, 3 dias em qualquer grande cidade. Não ignore os tempos de deslocamento entre cidades (para ir de Santiago até o Atacama ou de Lima até Cusco são mais de 20 horas de viagem por terra). Não esqueça dos procedimentos administrativos, como achar hostel, fazer check-in…tudo leva tempo.

Também aconselho deixar alguns dias livres para algum imprevisto ou até mesmo para descansar. Viajar também cansa!

3. Esteja aberto a novas experiências

Optando por fazer seu próprio roteiro, você vai ter um contato muito mais próximo com os locais e sua cultura do que se estivesse viajando por um intermédio de uma empresa de viagens. Alguns hábitos, como de higiene, costumam variar de país para país. Esteja preparado para sentir nos olhos, pele e até nariz essas diferenças. Tudo faz parte da viagem!

4. Leve o necessário

Se você vai para lugares frios, não esqueça de levar roupas adequadas a essa temperatura! Se chove muito, tenha, pelo menos, um calçado e um casaco impermeáveis.

Sempre é bom pesquisar sobre as temporadas de chuvas e suas consequencias. Por exemplo: a temporada de chuvas no Salar de Uyuni é entre janeiro e fevereiro. O deserto acaba se transformando em um lago e sua água em um grande espelho, o que atrai muitos turistas. O problema é que, se chover demais, é tanta água que ninguém entra no salar!

Importante levar somente o necessário para a viagem e evitar itens superficiais.

5. Compare preços

hostel barato mochilao
Hostel que fiquei em Cusco

Uma das facilidades que a internet nos trouxe é a possibilidade de comparar preços entre hotéis, empresárias aéreas, restaurantes, seguro viagem, entre outros. O booking, por exemplo, é muito útil na hora de reservar uma acomodação, pois permite que você compare o valor da diária e a qualidade do serviço de diversas hospedagens.

É possível abrir os hoteis no mapa e localizar em qual região estão os locais mais baratos ou checar a procura de acomodações na época que você vai viajar, pois o aplicativo mostra quantas camas e quartos já foram reservados para determinada data (por mais que esses dados não sejam muito confiáveis).

Sobre os quartos compartilhados

Passei mais de 10 meses viajando e a maior parte do tempo dormi em hosteis com quartos compartilhados. Dei preferência por hosteis mais familiares e não de “festa” e jamais tive qualquer problema. Os quartos geralmente eram mistos e nunca vi qualquer desrespeitos com as garotas hospedadas (os europeus costumam andar meio pelados pelo quarto, mas não vejo isso como desrespeito).

Sempre mantinha todos os meus pertences dentro da mochila e nunca ninguém roubou nada. Passei por vários locais onde não haviam lockers (armários para guardar seus pertences pessoais) e sempre escondi, sem problemas, meus documentos, cartões e dinheiro pela mochila.

O maior problema era o pessoal que roncava como se fossem as portas do inferno se abrindo.

6. Defina como vai levar seu dinheiro

A melhor maneira, do ponto de vista econômico, para se fazer o câmbio no exterior, continua sendo o dólar. Ela segue sendo a moeda mais valorizada na maioria dos países. O câmbio por real costuma ser bom em capitais e um roubo em destinos turísticos.

Não aconselho que você leve, entretanto, todo o seu dinheiro em cédulas, pois é muito fácil que lhe roubem tudo. O ideal é ter um cartão de crédito ou débito internacional de reserva, liberado para uso fora do Brasil. Por mais que as taxas sejam desfavoráveis e muitos estabelecimentos ainda não aceitem, caixas eletrônicos são encontrados em praticamente todo o mundo e o cartão pode lhe salvar em uma emergência.

Ainda há a possibilidade de usar cartões pré-pagos, que em pouco diferem dos cartões de débito e de crédito, e serviços de remessas como o Western Union. No caso do Western Union, costuma apresentar taxas de câmbio melhores que bancos e casas de troca. Mesmo pagando o IOF, pode ser mais rentável que qualquer outra opção, desde que sejam enviadas grandes quantias.

Durante o mochilão

1. Cuide do seu passaporte

O seu passaporte é a coisa mais preciosa que você tem consigo. Ter o passaporte roubado costuma significar fim de viagem, pois sem ele você não é ninguém. Se você entrou no país com seu RG, vale o mesmo: cuide de sua identificação como se fosse o que de mais precioso você tem.

O ideal é deixar o documento guardado em um locker e sair sempre com uma cópia. Uma doleira (pequena bolsa que você usa por debaixo da calça) é outra boa opção.

2. Converse com os locais

Não é para você sair puxando papo com qualquer pessoa na rua. Mas converse com a pessoa da recepção do hotel, com os vendedores, caixas de restaurantes…pergunte sobre quais lugares você deve conhecer, quais deve evitar por causa da segurança. Ninguém conhece melhor uma cidade do que a pessoa que mora lá.

3. Se grana é um problema, evite restaurantes turísticos

O caminho para jantar e almoçar barato é ir nos estabelecimentos frequentados pelos moradores locais em seu dia a dia. Quer comida mais típica do que a que as pessoas do lugar comem?

4. Não dê bobeira com seus pertences

Cidades turísticas atraem pessoas de todo o mundo e de toda a índole. O mesmo pode-se dizer de grandes metrópoles. Nesses locais, redobre a atenção com seus pertences. Se você sobrevive no Brasil, é só ter os mesmos cuidados que tem aqui.

Não ostente bens, cuide onde vai puxar seu celular. Se estiver com mochila em um local muito movimentado, utilize-a de frente para você. Evite andar, à noite, por lugares que não conhece. Se estiver sozinho e bêbado, nem pense nisso.

Henrique Lammel

Jornalista e produtor de conteúdo

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