9 dicas para iniciantes ou quem vai fazer o primeiro trekking

As trilhas de longo percurso estão cada vez mais populares no Brasil. São viajantes que priorizam não só o contato com a natureza, mas que buscam vivenciar uma experiência real e única.

Fizemos um guia para ajudar os iniciantes ou aqueles  que nunca fizeram uma trilha, hike, travessia ou trekking de longo curso – sejá lá o nome que você quiser dar. Confira aí as dicas!

1. Tenha o equipamento necessário para trilha

No sul do Brasil e em áreas mais altas, acima dos 800 metros do nível do mar, o risco de dormir mal à noite por causa do frio ou até mesmo haver problemas com hipotermia é real. É claro que este risco é reduzido a zero com alguns cuidados, como roupas impermeáveis e adequadas ao frio do lugar onde você vai realizar o trekking.

Caso for percorrer uma região serrana, esteja com roupas e equipamentos que aguentem temperaturas próximas a 0º, principalmente entre os meses de maio a outubro. Outra dica importante, que vale para qualquer situação, é ter sempre uma muda de roupa protegida por um saco estanque ou até enroladas em sacolas, protegendo-as ao máximo da chuva e umidade.

No Brasil, o risco de hipotermia não é com as temperaturas mínimas em si, mas com uma combinação entre umidade, chuva e frio. Enquanto caminhamos, nosso corpo se mantém quente. O problema é à noite, quando vamos dormir e as temperaturas tendem a cair.

Conserve o saco de dormir seco

Além de uma muda de roupa que deve se conservar seca, leve um saco de dormir, com conforto condizente com a temperatura do local. Este saco de dormir também deve ser impermeabilizado, nem que seja com sacos e sacolas, e guardado no fundo da mochila.

Dependendo da travessia que fizer, podem ser necessários equipamentos extras, como cordas para atravessar rios ou escalar pequenos trajetos. Aí vem a nossa segunda dica: conheça o percurso.

2. Conheça o percurso da travessia

Se você nunca fez uma trilha de longo curso, a melhor dica que podemos lhe dar é que contrate um guia que conheça o trajeto! E não só por ser uma pessoa que conheça o trajeto em si, mas por saber onde estão as fontes de água seguras, melhores lugares para acampar e até prepará-lo para possíveis obstáculos que serão encontrados na trilha.

Quando vamos fazer uma travessia pela primeira vez sem guia, não são só cartas topográficas, mapas e GPS que são importantes. Relatos de outras pessoas que fizeram o trekking e fotos de satélites como as dos Google Earth nos ajudam bastante em prever onde estão rios, riachos e até marcar construções e florestas que podem ser pontos de referência do trajeto.

Tenha atenção com as condições da trilha

Também cabe salientar que há muitas diferenças entre fazer uma trilha em um parque organizado, como Torres del Paine, e uma trilha selvagem pelo Brasil, subindo o cânion Tajuvas, por exemplo.

Em Torres del Paine, há uma trilha bem demarcada, com totens indicativos e outras pessoas realizando o percurso caso você se sinta perdido. Já no cânion Tajuvas, não espere encontrar sinalização além da trilha nem cruzar com pessoas para lhe indicar o caminho correto.

3. Leve comida para repor o gasto calórico

Um problema bem comum entre quem faz seus primeiros trekkings é não levar comida suficiente para o gasto calórico. Com isso, a pessoa sente-se fraca em alguns momentos. É fundamental que se leve em consideração o gasto calórico e esteja-se preparado para repor as calorias perdidas.

Praticantes de trekking costumam ingerir muitas sementes, como castanhas, amendoins e amêndoas, ricos em carboidratos, assim como pães e bolos. Frutas secas também são uma boa pedida, pois ocupam pouco espaço na mochila, não amassam e tem um prazo de validade longo. 

Chocolates são outra opção, pois repõem a energia gasta rapidamente. Entre as fontes de proteínas mais indicadas estão embutidos como salames, queijos e até bacon, que também lhe garantirão uma boa quantidade de gordura.

4. Mantenha o ritmo do hike

Quando fazemos um trekking de longo curso, buscamos sempre manter o ritmo da caminhada entre um acampamento e outro. Isso significa que as paradas são geralmente mais curtas, para não deixar o corpo “esfriar”.

Refeições “quentes” são feitas apenas na hora da janta e no café da manhã – no acampamento, no caso. O restante das paradas do dia, incluindo a do almoço, são mais rápidas.

5. Atenção com o peso da sua mochila

A principal Lei de quem vai fazer um trekking é só carregar aquilo que realmente vai ser útil. Se você tem dúvidas se vai usar tal item, certamente é porque ele não vai ser necessário. E carregar o mínimo peso na mochila é fundamental, visto que cada grama a mais vai deixar sua mochila mais pesada, o esforço maior e o circuito mais difícil.

Alguns itens indispensáveis também costumam ser esquecidos: chinelos, sandálias ou calçados confortáveis para descansar os pés após a caminhada, lanterna, caneca, kit primeiro socorros são alguns dos objetos indispensáveis.

Vale ressaltar que, pensando na sua saúde, o ideal é que o peso da mochila não ultrapasse 15% do seu peso.

6. Prepare seu corpo para a trilha

Estar em boa forma física é fundamental para seu corpo aguentar bem um circuito de longo curso. É claro que nem sempre conseguimos estar nas condições ideais ou realizamos os exercícios corretos.

Além de exercícios aeróbicos, como caminhadas e corridas, é fundamental trabalhar os músculos que protegem nossa coluna lombar, abdominal, glúteos e coxas, diminuindo o risco de lesões.

Pontes fixas, agachamentos e abdominais são alguns dos exercícios ideais. E não esqueça de alongar antes e após os exercícios.

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7. Cuidado com as fontes de água

A água é um dos itens que mais pesam na mochila e não é só necessária para mantermos o corpo hidratado, mas também para atividades básicas como cozinhar. Em trilhas por serras e morros mais altos, desabitados,é possível encontrar muitas fontes de água límpida confiáveis. A regra em geral é ferver a água e utilizar pastilhas de cloro, como clorin, para purificá-la.

Evite coletar água quando ela estiver parada ou em local com muitos musgos. Prefira cursos de rios, arroios e sangas. Olhe em volta da fonte de água e observe se não há dejetos que possam contaminá-la. Também evite cursos d’água localizados “abaixo” de zonas residenciais ou até mesmo próximas destas, pois é comum que esgoto seja despejado nos cursos.

Isso também vale para o trilheiro: faça suas necessidades fisiológicas a pelo menos 30 metros de fontes d’agua, para não contaminá-los. De preferência, cave um buraco e enterre os desejos.

8. Respeite o meio ambiente e moradores locais

Sempre respeite os moradores locais, animais e a natureza. Se não houver lixeiras no local, leve todo o lixo de volta consigo. Vale lembrar que buscamos sempre o menor impacto ambiental: isso significa passar pelo local deixando o mínimo de resquícios possíveis de sua passagem por ali.

Não leve animais domésticos para trilhas e evite iniciar fogueiras, principalmente em locais onde nenhuma foi iniciada. Se fizer uma fogueira, cuidado para manter o fogo controlado e tenha certeza que apagou todas as brasas antes de deixar o local.

9. Avise alguém

Sempre evite fazer trilhas de longo curso sozinho. Mantenha um amigo ou familiar avisado do seu trajeto, principalmente se for até um local em que não há sinal de celular. 

Combine com seu amigo ou familiar um horário e dia para fazer um check-out – avisar que você chegou ao seu destino e está tudo bem.

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Henrique Lammel

Jornalista e produtor de conteúdo

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