A volta do Cânion Tajuvas (RS): uma trilha em Morrinhos do Sul

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A ideia da volta do Cânion Tajuvas, localizado em Morrinhos do Sul, no Rio Grande do Sul, era fazer um circuito oval de um dia, percorrendo uma das pernas da formação pela trilha do Capitão, atravessando os campos e descendo pela Trilha do Facão (o porque deste nome fica evidente quando descemos por ela!).

Mas o circuito ficou pesado e o melhor é fazê-lo em dois dias. Outro ponto importante: é indispensável a utilização de algum método de navegação, pois há trechos em que não existem trilhas. Não faça essa trilha sem experiência, há trechos de caminhada pelo campo e outros onde a mata já tomou as trilhas e as condições de navegação são péssimas.

De pontos de interesse, há a própria subida pelas entranhas do cânion Tajuvas e miradores para o Litoral Norte, de onde se pode ver o mar em dias com boa visibilidade. Depois, há os belos vales de Três Forquilhas e Itati, um cânion em formação e uma descida incrível pela Trilha do Facão – que não indicamos descer, mas subir!

Confere aí como é este trajeto!

Mapa do trekking

Atenção: Track não foi gravado com muita precisão – usamos como referência este tracklog do Moisés da SIlva

Dificuldade e cuidados da trilha

Esta é uma caminhada bem exigente se feita em um dia, como proposto. No total, são percorridos 17,53 quilômetros, com quase 1500 metros de aclive e declive acumulados, com vários trechos sem trilha demarcada.

Há um trecho de trilha em mata de cerca de 2,5 quilômetros, chamado de Trilha do Capitão, que em parte já sumiu. O início é bem complicado de encontrar e a trilha estava em péssimo estado – principalmente por causa de uma tempestade que derrubou várias árvores e passou poucos dias antes da gente.

Levamos mais de duas horas para atravessar este pequeno trecho e pode ser fundamental ter um facão para abrir caminho.

Parte 1 – Da Igreja da Tajuvas até a Trilha do Capitão

Para fazer esse circuito em um dia, saímos de Porto Alegre às 4h, chegando na Igreja da Tajuvas, onde deixamos o carro, às 6h30min. Com isso, ganhamos um belo nascer do sol.

Esta primeira parte do trajeto já é conhecida e aparece em outros artigos do blog, como este sobre o cânion Tajuvas. Subimos pela trilha da Casa do Padre, entrando dentro do cânion Tajuvas até a primeira porteira, que leva ao Campo dos Borges. Até aqui não tem muito mistério: o trecho da igreja até a Casa do Padre é por uma íngreme estrada de terra e depois toma-se a trilha, em que o próprio cânion se transforma em uma escadaria de pedras.

Para fazer todo este trajeto, desde a Igreja, levamos cerca de 1h30min, em passo acelerado. Todo este trecho é bem demarcado e em aclive.

Por dentro do cânion, há um bom número de fontes e não é preciso carregar muita água. Tenha atenção neste ponto: pra não ter erro, encha seu cantil nas fontes antes da porteira, porque as próximas, garantidas, ficam a cerca de 1h30 horas dali!

Outra alternativa é seguir alguns metros pela trilha, logo após passar pela porteira, em vez de seguir para a esquerda, em direção do mirador, onde há uma possível fonte de água. Mas não siga daqui sem ter seu cantil cheio.

Do Campo dos Borges até o mirador para Itati

Nossa primeira dica é que não siga direto até o outro lado do morro. Pegue a trilha que vai para a esquerda, logo após atravessar a porteira, e siga até o topo desta perna do cânion Tajuvas, que vai lhe dar direito a um mirador incrível para o Litoral Norte e outras formações montanhosas do vale.

Volte para a trilha e siga-a sempre. Ela é bem demarcada, mas não se encontra nas melhores condições. Será mais de uma hora de caminhada até o mirador para a Boa União. Você estará ao lado da face do cânion Pedras Brancas que falamos neste artigo aqui, próximo ao cânion em formação.

Do Mirador da Boa União até a Trilha do Facão

Até aqui, a trilha está bem demarcada. A partir deste ponto, a trilha do Campo dos Borges termina e a navegação não será possível sem um GPS ou qualquer outro método de navegação. Se não tem experiencia, não arrisque-se daqui!

Encha seu cantil, porque não haverá muitas fontes de água pela frente. Primeiro, será preciso atravessar uma pequena floresta, por um trecho onde as árvores já estão crescendo por cima do que um dia pode ter sido uma trilha, até alcançar o campo aberto. No campo aberto, é preciso atravessar uma cerca e passar próximo a uma casa até chegar em um pequeno riacho.

Pode parecer que o início da trilha do Capitão está bem demarcado, mas cuidado porque existem vários caminhos de bois e valas formadas pela água. Cheque seu GPS a todo o instante.

Após percorrer o campo por alguns minutos, vai-se chegar a um ponto com três trilhas que cortam uma floresta. Importante: pegamos a trilha errada aqui e só conseguimos encontrar o início correto da trilha voltando ao início e varando mato. 

Também cabe observar que fizemos essa trilha logo após a passagem de um ciclone bomba fortíssimo pelos Campos de Cima da Serra e que havia inúmeras árvores caídas pela trilha, deixando a passagem de alguns trechos bem complicada. Pra se ter ideia: demoramos cerca de 3 horas para atravessar menos de 3 quilômetros.

Após horas em meio à floresta, a trilha vai novamente abrir, agora em um caminho de bois bem demarcado. À frente a trilha segue, descendo até o poço dos Morcegos, em Itati.

Da Trilha do Facão até a Igreja Tajuvas

Ande por alguns metros até uma casa e atravesse-a pelo lado. Agora, você estará em um imenso potreiro, com uma das pernas do Tajuvas, por onde você veio, a sua esquerda. 

Novamente, achar o início da trilha – por onde se desce deste platô, vai ser bem complicado sem um GPS. É preciso seguir o caminho de boi pelo potreiro e atravessar algumas porteiras até um ponto em que duas cercas paralelas formam uma passagem. Vá descendo, seguindo a direção da cerca e procure o início da trilha, que vai voltar para dentro de uma mata de galeria.

Aqui que se descobre o porque a trilha tem esse nome: é como se partes dela fossem cortadas com um facão! A descida é bem complicada, com inúmeros trechos expostos e o terreno escorregadio. Diferente do Tajuvas, esta trilha não é formada por uma escadaria de pedras, mas por muito barro! Até por isso, não indicamos que se desça por ela, mas sim subir.

Trekking Volta da Tajuvas

Dificuldade: Muito difícil
Duração: Um dia
Distância: 18 km
Condição da trilha: Impossível fazer sem método de navegação. Bem demarcada em parte do trajeto, parte do trajeto sem trilha

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Henrique Lammel

Jornalista e produtor de conteúdo

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