Canyon del colca (PER): Subindo e descendo as paredes do cânion mais profundo do mundo

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O Canyon del Colca é considerado o mais profundo do mundo. Ele dá “laço” nesse atributo no famoso Grand Canion americano. Foi um trekking muito interessante de fazer: suas paredes áridas, vermelhas, cinzas e brancas, contrastam com a parte central do cânion, onde corre o Rio del Colca.

Conforme vai se descendo por dentro do cânion, pode-se ver uma quantidade enorme de tunas – uma árvore frutífera que se parece um cactus. Já o seu centro é verde, uma terra fértil cheia de árvores e propícia para a plantação de legumas como batatas.

O Colca também é um ponto estratégico para o avistamento de condores em determinadas épocas do ano. Não foi o caso do mês que estive lá, novembro, quando eles praticamente não saem da toca para ficarem com seus filhotes.

São diversos circuitos feitos dentro do cânion, começando em Cabanaconde ou em Chivay. As empresas de turismo oferecem um traçado curto, com pouco mais de 20 quilômetros, que são feitos em dois ou três dias. O trajeto pode não ser longo, porém o ascenço e o descendo são íngrimes. Some-se o fato da região ser muito árida, o trekking torna-se um tanto difícil e cansativo se você não estiver minimamente preparado.

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Como chegar

O Canyon fica a meio caminho entre Arequipa e Puno. Os tours mais baratos saem de Arequipa. Duram um, dois ou três dias, sendo que os com pernoite envolvem o trekking pelo vale. O circuito de três dias, com hospedagem, três refeições diárias, guia e transporte, custa PER 150. Deve-se acrescentar mais PER 40 (para brasileiros) de ingresso para entrar no Vale. Já o tour de um dia custa cerca de PER 50 (mais ingresso).

Para quem prefere, é tranquilo fazer o trekking de forma independente. O que não faltam são cidades no vale para se passar a noite, com hospedagens, restaurantes e campings. Em média, a hospedagem/camping sai por PER 20 e uma refeição por PER 15, porém os preços são negociáveis. Já a passagem de ônibus para Cabanaconde ou Chivay sai por PER 20 o trecho.

O mais clássico dos trajetos dura três dias e se extende até o povoado de Fure. Quem se interessar, o mapa no wikilock está disponível aqui e um relato bem interessante aqui.

Os tours

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Fazendo qualquer um dos tours, você faz as mesmas paradas, tanto na ida e na volta. A primeira é na Cruz del Condor, um dos pontos mais altos do Cânion del Colca, onde pode-se ver os condores voando abaixo de você, muito próximos. A van para ainda em alguns povoados, como Mapa, um mirador para os vulcões da região e na reserva Salineras-Aguadas onde, com sorte, pode-se avistar manadas de vicunas, lhamas e alpacas convivendo juntas.

O trekking

1º dia – de Tapay a San Juan del Cucho

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O trekking de três dias começa em Tapay e são 6,5 quilômetros de caminhada, sempre descendendo, até San Juan del Cucho. Os primeiros quinhentos metros nos levam da estrada até a parede do cânion. Do outro lado, maos abaixo, podem-se observar diversas cidades.

A decisa é bem cansativa para os joelhos. Alguns trechos não possuem “escadas de pedra” e são bem escorregadios. Lá embaixo, temos que atravessar uma ponte e subir alguns metros para chegar a cidade de San Juan.

Ficamos em uma hospedagem muito simples, com cabanas de barro, sem energia elétrica. O trekking teve início às 9h e se estendeu até às 13h. Quem faz a pernada em dois dias, para em San Jaun para almoçar e na tarde segue até Sangale, mais conhecido como Oasis.

2º dia – de San Juan del Cucho até Sengale

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No nosso caso, a ida a Sangale teve início às 8h30. São onze quilômetros até o povoado, que podem virar 14 nas temporadas de chuva. Isso porque o rio que corta o caminho está seco e é possível atravessar o cânion por este ponto sem problemas. Na temporada de chuva, que vai de janeiro a março, ou nos meses seguintes a ela, é preciso passar por uma ponte, que faz o caminho se estender por mais uma hora.

O trecho todo é por um terreno acidentado, sendo necessário subir e descer as escadarias de pedra. O cenário é todo tomado por tunas, uma planta que se parece com um cactus e produz um fruto parecido com um pepino. Quando está vermelho ganha a cor avermelhada e é muito doce.

Não deixe pra comprar nada em Sengale, os preços no oasis são absurdamente abusivos. Uma garrafa de água de dois litros é vendida por PER 15 e a de um, por PER 10. No caminho, um senhor vendia a mesma garrafa de dois litros por PER 6. O preço do quarto que constava no cartaz era de PER 20.

3º dia – de Sengale a Cabanaconde

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O último dia consiste em uma dura subida de três horas até Cabanaconde. O dia tem início às 5h e, pelas 8h, se está no topo do morro. O café-da-manhã só é dado quando se chega em Cabanaconde, o que deixa a caminha ainda mais difícil.

Principalmente nesse trecho, é possível ver muitas pessoas que não aguentaram a subida e precisaram apelar para a ajuda de um burro. Entretanto, o guia comentou que subir nas costas do animal é bem perigoso. A subida é difícil mas não impossível: basta ter calma que você vai chegar lá!

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Dicas

– Não confie na água do cânion. Fui em uma época que não chove e havia água em abundânicia correndo pelo caminho, porém há animais nas adjacências. É aconselhável que se use pastilhas de cloro para purificá-la antes de bebê-la;

– Uma camisa de algodão ou outro tecido que permita a transpiração e uma calça são recomdados e um chapéu ou boné é acessório indispensável. A temperatura no cânion chega aos 40º e, como dito antes, o clima é muito árido;

– Evite comprar água em Sengale ou até mesmo nas cidades menores dentro do cânion. Há pessoas vendendo no caminho e o preço costuma ser melhor;

– Em todas as cidades no cânion, por menores que sejam, existem hospedarias. O preço dos campings e das cabanas por onde passei eram sempre os mesmos. Deixe a barraca no hostel e economize no peso;

– Também existem diversos restaurantes no caminho e vendas nas cidades que vão, sim, cobrar mais do que em Arequipa. Porém, não se esqueça que tudo é negociável;

– Se você estiver em mais pessoas, vale tomar um taxi até a Cruz Del Condor. Mas faça isso o mais cedo possível, pois a montanha fica lotada de turistas e os condores costumam aparecer ao nascer do sol.

– Não esqueça de levar amêndoas, bolachas, chocolates ou qualquer outro alimento que lhe dê energia. Mesmo que a empresa ofereça três refeições diárias, elas podem não ser suficientes.

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Trekking Canyon del Colca

Distância: Pouco mais de 20km
Duração: Três dias
Dificuldade: média
Trilhas: Muito bem demarcadas
Custo: PER 150 (guia, transporte ida e volta para Arequipa, tour por pontos turísticos, duas noites de habitação, três cafés-da-manhã, dois almoços e duas jantas) + PER 12 (4 litros de água) = PER 162.

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