Ushuaia (ARG): dicas para gastar pouco no fim do mundo

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A cidade vista do mirador do Glaciar Martial

Há cerca de trinta anos, o turismo explodiu em Ushuaia. A cada ano, mais pessoas vão até o vilarejo para conhecer a cidade mais ao sul do planeta. As atrações vão desde trilhas em meio a natureza até pistas para esquiar, dependendo, é claro, da época do ano.

Ir até o Ushuaia, a cidade do fim do mundo, não é barato (a não ser que você faça de carona). Um ônibus de Buenos Aires custa pelo menos R$ 400 o trecho e leva mais de dois dias de viagem. Na cidade, é preciso ter em conta que os alimentos e tudo que se consome percorrem esse mesmo longo trajeto, o que aumenta o custo final. Somando a tudo isso o fato que o turismo movimenta a economia de Ushuaia, não espere encontrar restaurantes e hospedagens realmente econômicas (claro que sempre há alternativas, como o Couchsurfing).

No Centro de Informações Turísticas, dizem que a cama de hostel mais barata custa R$ 70 (ARG 350). Graças a uma dica de um argentino que conheci no Parque Lanin, fiquei em um quarto bem quentinho com um colchão confortável por R$ 50! Mas foi o único, por toda a cidade, o preço mínimo era ARG 350.

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Onde dormir

O local mais barato (fora os campings) é a Hospedaje Velasques, no cruzamento entre as ruas Fadul y Castro. Não serve café da manhã, mas a cozinha é liberada e tem calefação (muito importante, vai por mim) e um wii fii no mínimo decente. Custou ARG 250 (R$ 50) a cama. Depois, todos os locais que passei e perguntei cobravam ARG 350. Outra opção é ficar no camping municipal, mas esteja com um bom isolante térmico e com um saco de dormir com extremo -15º. E não espere por dias quentes e ensolarados.

Onde comer

Pra comer sem gastar os olhos da cara, só cozinhando mesmo. A dica é simples: comprar tudo no supermercado La Anônima, mais barato que os mercadinhos. Afora frutas e verduras, é possível encontrar preços bem parecidos com os cobrados em Buenos Aires.

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O que fazer

São inúmeros as atividades em Ushuaia, como conhecer o parque Tierra del Fuego ou ir até o Faro del Fin del Mundo (que, mesmo sendo vendido como tal, não é o famoso farol do Fim do Mundo que Charles Darwin visitou e fica muito, mas muito mais ao sul).

Como a grana estava curta (só a entrada para o Parque Tierra del Fuego custaria R$ 100), optei por duas atrações grátis: conhecer o Glaciar Martial e a Laguna Esmeralda. E é sobre isso que vamo falar aqui.

Laguna Esmeralda

Diversas empresas oferecem transfer para a Laguna. Cobram bem: a partir de ARG 200 (ou R$ 40). A Laguna não fica longe da cidade e muitas pessoas optam por ir de carona. Se for sozinho, sem alguém que conheça, de carro, por exemplo, tome cuidado para ingressar na trilha correta. Uma delas (a mais próxima da cidade) vai levá-lo até o refúgio Bonete. O caminho é tão ruim que chega a ser intransitável em alguns pontos, se transformando em um grande banhado.

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Na entrada correta para a trilha, certamente haverão alguns carros e até traillers estacionados. Ela é tranquila, sem muito aclive ou declive. O único problema pode ser o barro e as plantas úmidas. Pode ser interessante cobrir o pé com algum material impermeável.

Você vai levar de três a quatro horas para ir e voltar, então pode reservar uma tarde ou manhã para isso.

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Glaciar Marcial

No inverno, é uma pista de esqui. No verão, muitas pessoas sobem a montanha e vão até os pés do Glaciar. A uns 500 metros do fim da trilha, há um entroncamento, que leva até um mirador para a cidade, onde se pode ver perfeitamente o Canal de Beagle.

O glacial não é essas coisas, mas chama a atenção que fique tão próximo do centro da cidade: saí caminhando do hostel e cheguei aos seus pés em menos de 3 horas. Outra opção é o Glaciar Vinceguerra, que está um pouco mais longe (4 horas de caminhada) e que eu não conheci. E para quem curte esquiar, pode visitar o Cerro Castor, que no verão fica fechado.

glaciar martial

Dicas

– Comer em Ushuaia é caríssimo! Dê preferência para hospedagens com cozinha, sua conta bancária vai agradecer e poderá utilizar esses recursos para algum outro passeio que, por sinal, também não será barato!

– Tenha uma bota e uma jaqueta impermeáveis. O tempo em Ushuaia é muito instável, e estar preparado para chuvas é essencial. Como faz muito frio, se manter seco torna-se ainda mais importante. Obviamente, tenha roupas que aguentem temperaturas abaixo dos 0º, principalmente fora do verão!

– O Centro de Informações Turísticas possui wii-fii grátis. Lá é possível carimbar seu passaporte com um selo do fim do mundo e, do ladinho, tem a famosa “placa do fim do mundo”.

– Um dos lugares mais bonitos da região é o Passo Garibaldi, entre Ushuaia e Tolhuin. Logo após cruzá-lo, há uma das vistas mais bonitas da patagônia, no mirador para o Lago Escondido. Se for possível, faça uma parada! (nós paramos, mas chovia muito :/)

– Em toda Isla de Tierra del Fuego, é necessário ter um pouco de cuidado com a água que se bebe. Há uma superpopulação de castores na ilha e as represas construídas por eles podem contaminar a água.

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Como chegar

Ushuaia tem aeroporto, e as principais cidades da Argentina oferecem vôos para o fim do mundo. Pesquisando com antecedência, é possível encontrar vôos mais baratos do que os ônibus.

Por terra, saem coletivos das principais cidades. Muita gente opta por ir de carona ou de carro: é preciso cruzar o “Passo Austral”, próximo a Rio Gallegos, e entrar em território chileno. Aí, se atravessa o Estreito de Magalhães de barcaça, por Punta Delgada. O transporte faz várias travessias por dia, de manhã e de tarde. Porém, a força do vento pode suspender as atividades e travessias.

Em solo chileno, passa-se pela cidade de Cerro Sombrero e segue-se até a fronteira argentina de San Sebastian. De volta a solo cisplatino, segue-se para Rio Grande e, aí, Tolhuen.

Outra opção é cruzar por Porvenir, indo até ou vindo desde Punta Arenas. A diferença é que sai apenas uma barcaça por dia, pelas 14 horas, e o custo é mais alto. Em Punta Delgada, não cobram dos mochileiros que atravessam a pé ou de bicicleta.

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