Ferrovia do Trigo e o trekking por dezenas de tuneis e viadutos

viaduto dois lajeado ferrovia trigo

A Ferrovia do Trigo é um dos trekkings mais clássicos do Rio Grande do Sul passa, ao longo de cerca de 50 km, por quatro cidades (Guaporé, Dois Lajeados, Vespasiano Correa e Muçum), cruza dezenas de túneis, sendo um com mais de dois quilômetros de comprimento, e percorre 21 viadutos, entre eles o Viaduto 13, considerado o maior férreo da América do Sul.

O caminho tradicional inicia em Guaporé, em uma altitude de 480 metros acima do mar e acaba em Muçum, a 48 metros. Em qualquer direção, não há como não se impressionar com a obra faraônica. A Ferrovia do Trigo, inteira, possui 289 quilômetros de trilhos e demorou 67 anos para ficar pronta. Em grande parte, por culpa da geografia da região entre Guaporé e Muçum.

É neste trecho que a Ferrovia do Trigo perfura montanhas e as transforma em galerias. As encostas estão terraplanadas e dezenas de viadutos conectam um penhasco a outro. Das 26 pontes que se espalham pela Ferrovia, 21 estão entre Guaporé e Muçum.

Indicações e contra-indicações

Sem muitas complicações logísticas, a Ferrovia é uma opção econômica para mochilar. O trekking pode ser feito em dois ou três dias, utilizando somente transporte público e a navegação é simples, impossível de se perder: é só seguir os trilhos.

homens caminhando na ferrovia

Não é indicado para pessoas com fobia por lugares fechados, por causa dos túneis, ou com medo de altura. Três viadutos são vazados: totalmente de ferro, foram construídos com os dormentes fixados nos trilhos, e não em uma “base”. Dessa forma, não possuem corrimão ou um “chão”. Mas é seguro. Cada dormente acomoda perfeitamente um pé tamanho 45 e a distância entre um e outro não é muito grande.

O trem ainda passa, duas vezes por dia, geralmente pela manhã/tarde e madrugada. Então fique atento antes de entrar nos túneis ou atravessar um viaduto.

rio dois lajeados

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P.S.: Existem estradas de acesso para os viadutos mais conhecidos. Tanto em Dois Lajeados quanto em Vespasiano Correa, há placas de sinalização por toda a cidade para guiar os visitantes. Os municípios, principalmente Vespasiano, vem incentivando o turismo na região e um comércio já se formou em torno do V13, por exemplo.

P.S.2: Em julho de 2017, a empresa que administra a ferrovia bloqueou o acesso ao V13, em razão do grande fluxo de pessoas nos trilhos. Nos primeiros dias, um grupo de caminhantes foi impedido de atravessar o V13, tendo que fazer um desvio indicado pela equipe de seguranças que vigiava o local e terminaram o trekking. Grupos que percorreram os trilhos mais recentemente não encontraram nenhum segurança, fazendo o percurso pelo V13 sem problemas.

– Não deixe lixo por onde passar, sempre recolha tudo e leve de volta consigo.

dois homens mochila estação guapore

1º dia – De Guaporé ao Viaduto Mula Preta

A estação Guaporé, localizada na beira da RS – 129, é um bom local para entrar na ferrovia. Ela fica no início da rua que dá acesso ao centro da cidade. O primeiro trecho do trekking é menos “montanhoso”, com muitos terrenos planos e campos.

Não faltam lugares para acampar. É possível alcançar o Viaduto Mula Preta após seis, sete horas de caminhada. No trekking de três dias, é uma boa meta acampar nas proximidades. Nessa região estão alguns dos túneis mais longos, não é uma boa passar muito do viaduto se a ideia for levantar o acampamento ainda com luz natural e estiver escurecendo.

O Viaduto Mula Preta é um dos pontos altos do trajeto. Fica na divisa com Dois Lajeados e está a 98 metros do chão. Mas o que assusta não é a altura, e sim seus 360 metros de comprimento. Há uma boa zona de camping passando-o.

viaduto mula preta ferrovia trigo

2º dia – Do Mula Preta ao Viaduto 13, pelo Viaduto Pesseguinho

Logo após o Mula Preta, há o maior túnel do trajeto, com mais de 2 km de extensão – são uns bons 30 minutos caminhando no escuro. Antes de chegar ao Viaduto Pesseguinho, segundo vazado da Ferrovia do Trigo, se passa por uma estação de trem abandonada.

No Pesseguinho, funciona o camping Casa Recanto da Ferrovia. O Clair, dono do lugar, tem chuveiro com água quente e algumas comodidades, como cerveja gelada, que podem fazer toda a diferença. Sem contar a cachoeira

cachoeira recanto ferrovia

O Pesseguinho tem 268 metros de extensão e 86 de altura e se mistura com umas das mais belas paisagens da caminhada. A partir daí, começam a surgir os desfiladeiros e locais para acampar ficam raros.

O Viaduto Pesseguinho está praticamente na metade do caminho e é um ótimo ponto para aqueles que estão fazendo o trekking em dois dias pernoitarem.

Em uma caminhada de três dias, a indicação é passar a segunda noite aos pés do Viaduto 13. O V13 fica em Vespasiano Correa e é o maior viaduto férreo da América do Sul, com 143 metros de altura. Na base, existe um camping. O pessoal não é tão simpático quanto o Clair, mas dá pra tomar aquela cervejinha ou um bom e revigorante banho quente. A um quilômetro dali, há outro camping, o Paraíso Tropical, à beira de uma cascata.

3º dia – Do V13 a Muçum

O sacrifício em subir a estrada que leva ao V13, quase 150 metros acima, é compensada pela bela paisagem. A aventura ainda guarda uma última surpresa: outro viaduto vazado, menor em tamanho e distância se comparado aos anteriores. Depois do último vazado, ainda são cerca de quatro horas de caminhada até a cidade de Muçum. É hora de se despedir da Ferrovia do Trigo.

homem acampado vendo trem passar

Dicas

– Você vai caminhar a maior parte do percurso na brita, opte por um calçado com sola dura.

– Não esqueça de lanterna. A penumbra é total dentro de alguns túneis!

– Há água potável em abundância em praticamente todo o trajeto.

– Nos viadutos vazados, ande, no máximo, em grupos de dois, respeitando o espaço entre um recuo e outro. Se o grupo for grande, não andem juntos dentro dos túneis.

– Vale a pena parar no Recanto da Ferrovia para conhecer o Clair.

 sol escondendo atrás arvores guaporé

Como chegar

De carro – Guaporé fica a 143 quilômetros de Porto Alegre e, quem vem da Capital gaúcha, deve pegar a BR 386 e, em Lajeado, seguir pela RS 129. De Caxias, que fica a 70 quilômetros da cidade, o melhor caminho é seguir até Bento Gonçalves e pegar a RS 431.

De ônibus – A rodoviária fica a cerca de um quilômetro da estação de trem de Guaporé, localizada na entrada da cidade. É possível pedir para o motorista parar por ali.

Trekking da Ferrovia do Trigo

Dificuldade: Moderada
Duração: Três dias
Distância: Cerca de 46km o trecho entre Guaporé e Muçum
Custo: R$ 99,80 (Valor das passagens entre Porto Alegre e Guaporé / Muçum Porto Alegre  + camping V13)
Condição da trilha: Impossível de se perder

dois homens entrando tunel

11 comentários

  1. Boa noite Henrique, eu e mais 4 amigos vamos encarar esse trekking na semana que vem… Pretendemos começar na sexta logo após ao meio dia e terminar até no domingo de tarde, por causa dos horários de ônibus de retorno. O sentido que vamos fazer é Guaporé-Muçum. Gostaria de saber se esse local de acampar fica na primeira metade ou mais no final da trilha e se você se lembra do valor cobrado? Queríamos saber pra ter uma noção. Desde já, agradecido pelos esclarecimentos.

    • Então, lugares de acampamento, que são organizados, são dois: um quase na metade, no Viaduto Pesseguinho, em dois Lajeados, e outro no V13, que fica a umas 5 horas de muçum. Como fizemos a travessia em 3 dias, na primeira noite acampamos no mato mesmo, que é de graça 😛 Na segunda, ficamos no camping do V13, pagamos algo como R$ 10, mas isso lá em 2015!

  2. Olá Henrique, curti muito as suas dicas. Pretendo fazer o trajeto sozinho, mas tenho uma dúvida: como saber os horários dos trens que vão passar, já que um dos túneis tem cerca de 2km? Tem áreas de fuga nos túneis e nos viadutos em que a pessoa possa escapar do trem?
    Abraços e obrigado pela ajuda!

    • O horário do trem varia muito por causa da velocidade que ele anda..as vezes tem muita neblina e ele passa bem devagar…

      Mas sim, tanto nos viadutos quanto nos tuneis existem recuos que tu pode ficar esperando o trem passar…a distancia entre eles é de algo como 30 metros

  3. Olá, boa tarde!!!
    Vcs foram de carro até a cidade de partida??
    É tranquilo pegar um ônibus na cidade de chegada até a cidade de partida para buscar o carro??
    Ou vcs tem alguma outra dica??
    Somos de SC e pretendemos fazer o percurso em dois dias (feriado de outubro)
    Obrigada

    • A gente fez tudo de ônibus, mas é tranquilo sim…sei que muita gente deixa o carro na rodoviária de muçum e toma um ônibus pra Guaporé e depois vem voltando…mas o contrário vale tb, são duas cidades super pacatas e tranquilas…ah, e ambas as rodoviárias ficam a menos de 1km dos trilhos…

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