Como é o trekking pela Cordilheira Branca ou Quebrada Santa Cruz

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O trekking pela Cordilheira Branca, ou quebrada Santa Cruz, é, hoje, o mais procurado dentre os diversos circuitos longos realizados dentro do Parque de Huascarán. A reserva fica no norte do Perú, a oito horas de Lima, perto da cidade de Huaraz. Nos 52 quilômetros de caminhada, podem ser vistos 31 nevados – 17 acima dos 5000 mil metros e 16 acima dos 6000 mil. Dentre elas, a Artesonraju, montanha que inspirou o logo da Paramount Pictures.

A Cordillera Blanca é a maior cadeia de nevados em extensão em uma região tropical do mundo. Isso se deve, principalmente, a cordillera negra, que protege-a dos ventos mais quentes, que sopram do Atlântico. Sim, do Oceano Atlântico!

Nesse post, você vai saber como foi nossa experiência de quatro dias pelas montanhas do parque Huascarán e as dicas para você não cair em nenhuma furada. Bora?



Quanto custa fazer a trilha

Com pouca experiência em trekkings de altitude, frio e neve, resolvi contratar uma agência. O custo para os quatro dias, com transporte, três cafés da manhã, três almoços, três jantas e lanches, mais barraca, água fervida pela manhã, guia e burros para levar parte do peso que carregava, foi de PER 340. Entretanto, esse preço pode variar: dois brasileiros que estavam no meu grupo contrataram o trekking pelo hostel e pagaram PER 290 cada.

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Os brasileiros nunca tinham acampado e estavam sem equipamento. Tiveram que alugar botas, capas de chuva, lanternas e outros equipamentos. A dica é: se quer fazer o trekking, vá preparado. No fim, as botas causaram algumas bolhas nos pés deles por não estarem amaciadas. Mesmo assim, conseguiram realizar a travessia pela Cordillera Blanca sem muitos problemas.

Outro gasto que precisa se estimar é a entrada do parque. Para fazer esse trekking, é preciso adquirir o tíquete válido por três dias, por PER 60, ou aquele com validade de 30 dias, por PER 150 (valores de 2018).

O trajeto pela Cordilheira Branca

Tradicionalmente, a Quebrada Santa Cruz inicia no vilarejo de Vaqueria – seis horas de transporte desde Huaraz – e termina em Santa Cruz. É possível fazer o trajeto de forma autônoma, pegando um transporte de Huaraz até Yungay, e de Yungay até Vaqueria. Outra opção é ir até Yacoral, onde está o posto de entrada para a Laguna 69, e iniciar a trilha por aí.

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Preparação para a Quebrada Santa Cruz

A altitude costuma ser o maior desafio de quem quer fazer um trekking mais longo pelas montanhas do Perú. Quanto mais alto, menos oxigênio no ar. O ponto mais baixo da Quebrada Santa Cruz está a 2900 metros e o mais alto a 4750 metros. Em mais de 50% do trekking, você vai estar a mais de 3800 metros. Contra o soroche, ou mal de altitude, há poucas soluções: um remédio comprado na farmácia, mascar e fazer chá com folhas de coca, beber muita água, alimentação leve. Mas principalmente, ambientação.

Isso significa ir devagar, pelo menos nos três primeiros dias, e se preparar para um trekking longo como o da Cordilheira Branca. Huaraz, a maior cidade próxima ao parque e que oferece a melhor estrutura para comprar equipamentos, se hospedar ou contratar uma agência, está a 3100 metros ao nível do mar. É o suficiente para que você sentir as respostas do seu corpo à altitude. Há pessoas que não tem muitos problemas, outras tem dificuldade para dormir, passam mal do estômago e sentem muita vertigem.

De minha parte, tive muita dor de cabeça e meu fôlego acabava muito mais rápido que o normal. Nos primeiros dias, ao me abaixar para amarrar as botas e levantar, a visão ficava turva. Porém, praticamente não senti mais nenhum efeito após o terceiro dia em Huaraz. A dica é que, no primeiro e segundo dias na altitude, não se faça muito, apenas caminhadas tranquilas para conhecer a cidade ou tours como o Glacial Pastoruri e Chavin, onde não é necessário caminhar muito. Nos seguintes, tente ir até a Laguna Chorup ou a Laguna 69, que lhe exigirão mais esforço físico e serão bons testes.

1º Dia – De Vaqueria, passando Huaripampa (10km)

vaqueria cordilheira branca

Os tours para Cordillera Blanca costumam partir de Huaraz pelas 4 horas da manhã. Serão seis horas de estrada. As primeiras duas horas e meia são para chegar até Yungay, depois outras três e meia até Vaqueria. A partir de Yungay, a van começa a subir pela encosta de uma montanha, deslizando por desfiladeiros que apontam para vales intermináveis, com vistas únicas das lagunas gêmeas de Llaganuco. No ponto mais alto, é comum estar nevando.

De Vaqueria, são de quatro a cinco horas de caminhada. Ganhamos um lanche – que era para ser nosso almoço – e seguimos até o posto de Huaripampa. Huaripampa é um pequeno vilarejo, onde é possível comprar alguns mantimentos, certamente mais caros que em Huaraz. Logo depois, é preciso se identificar no posto de controle e mostrar o ticket de entrada do parque (é necessário comprar o válido para 21 dias, por PER 65).

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Dali, caminhamos mais duas horas até acamparmos em um trecho a 3700 metros. A primeira hora de caminhada foi pelo vale e, segundo o guia, se chove muito, é grande a chance do rio transbordar e se fazer um caminho mais longo. Começamos a ver os primeiros nevados da Cordilheira Branca

Seguimos caminhando cerca de meia hora até um ponto mais alto, tendo que tomar um desvio em razão de uma ponte que foi levada por uma cheia recente.

2º dia: De Huaripampa até Taullipampa (10km)

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O segundo dia é considerado o mais puxado, por ser o dia de fazer o “passo” por Punta Union, a 4750 metros. Isso significa sair dos 3750 metros, onde acampamos, e subir até o ponto mais alto de todo o trekking. Depois, descemos mais 500 metros até Taullimpampa, onde novamente armamos as barracas.

Nesse dia, é possível observar diversos nevados, como o Taulliraju, e ver lagunas como a Tawliquiccha e a Taullipampa. Começamos a caminhar pelas 7h e terminamos às 14h.

Logo que acordamos, seguimos por um pampa muito úmido antes de começar a subir por uma interminável escadaria de pedras. O caminho inicia por uma escadaria de pedras protegida pelas paredes de uma montanha e vai ficando cada vez mais exposta conforme se ganha altitude.

Próximo do passo, começou a ficar muito frio e nevar, como é esperado em um lugar como a Cordillera Blanca. Porém, bastava ir para o outro lado da montanha que a temperatura mudava e o vento desaparecia.


Descemos por um caminho de terra e pedras por mais uma hora até a área de acampar. No fim, foi bem menos puxado do que esperávamos.

3º dia: De Taullipampa até Llamacoral (22km)

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Como sempre, acordamos às 5h30, para ajeitar os equipamentos, tomar o café da manhã e começar a caminhada pouco antes das 7h. Acampamos perto do Artesonraju, o famoso nevado da Paramount. Nesse dia, houve a opção de fazer um desvio de cinco quilômetros até a laguna Arhuaycocha.

Passamos por outra bela laguna, a Jatuncocha, onde fizemos nosso almoço, e seguimos vale a dentro por uma região que parecia um deserto, totalmente diferente das paisagens que víamos até ali. Desde a decida de Punta Únion, era perceptível que a nossa frente o caminho era muito mais ensolarado, com o céu sempre azul.

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Enquanto estávamos, quase sempre, com nuvens em nossas cabeças, nos dois primeiros dias, agora começávamos a andar por um trecho árido. Nesse ponto, é preciso de atenção para achar a trilha, que vai estar do outro lado (na mão esquerda) da trilha pela qual descemos a montanha. Caminhamos até às 15h nesse dia.

4º dia: De Llamacoral até Santa Cruz (10km)

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Foram pouco mais de três horas de caminhada até Santa Cruz. Nesse dia, levantamos novamente cedo e depois começamos a descer pela encosta de um rio, que nos acompanhou por praticamente todo dia, na nossa mão direita, deixando a Cordilheira Branca para trás, de vez. Esperamos em um restaurante a chegada dos burros com nossos equipamentos e, após carregar a van, foram cerca de quatro horas de estrada até voltar para Huaraz.

No caminho, uns locais, que aparentemente estavam ajeitando a estrada, cercaram nossa van e pediram um pedágio para que a van pudesse passar. Houve um princípio de estresse, mas depois tudo foi resolvido com o pagamento pelo guia.

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Dicas sobre a trilha pela Cordilheira Branca

– Toca, luvas, saco de dormir para conforto 0º, botas de trekking e um casaco que proteja da chuva são equipamentos imprescindíveis para fazer a quebrada. Se sua opção for fazer o trekking por uma empresa, barracas e colchonete são fornecidos por eles. Saco de dormir também, porém são mais simples e podem não aguentar o frio que faz à noite.

– A melhor época para fazer o trekking é de abril a setembro, por ser temporada de pouca chuva. Entre outubro e março, além do clima mais úmido, dizem que faz mais frio na montanha.

– Se sua escolha for por um tour desses como fiz, que são mais baratos, espere por grupos de até 15 pessoas. Pior que isso: algumas barracas vazam durante a noite. Antes de escolher em qual vai ficar, dê uma boa olhada na capa para ver se não há muitos remendos. Se entrar água, não deixe de acordar o guia, mesmo se for de madrugada.

– O café da manhã e a janta são bem servidos, mas não posso dizer o mesmo do almoço. Leve algumas bolachas para dar uma segurada caso as refeições não forem o bastante para você.

– Sempre negocie o preço, geralmente é possível baixar um pouco. No fim, éramos um grupo de 15, e quase todos contrataram o trekking pela Cordillera Blanca por empresas diferentes e pagaram valores diferentes. O normal é que se pague um sinal de metade do valor para contratar o trekking e o resto na noite anterior. Sempre peça um recibo.

Quer saber mais sobre as trilhas de Huaraz? Então clica aqui que a gente te conta!

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5 comentários em “Como é o trekking pela Cordilheira Branca ou Quebrada Santa Cruz

  • novembro 11, 2018 em 11:55 am
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    Dava pra tomar banho nos acampamentos ou era no meio da montanha mesmo?
    Como fizeram com a água?

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    • novembro 12, 2018 em 12:43 pm
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      Era na montanha mesmo! Pra se limpar, o mais indicado é um pano ou um lenço umidecido. Tem alguns lagos e riachos que cortam a trilha, mas a água é muuuita fria!!!

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  • junho 21, 2018 em 4:03 pm
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    Cordilheira Branca em Huaraz é maravilhoso. Não canso de ler e ver fotos desse lugar!

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  • junho 4, 2018 em 5:48 pm
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    Adorei seu post sobre o trekking da sta Cruz
    Além dessa empresa vc tem outras ?
    Estou indo embora de Huaraz hj e só descobri esse trekking ontem à noite
    Quero voltar
    Vi q o melhor é de abril a setembro

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    • junho 4, 2018 em 6:19 pm
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      Certo, Cleide! Temporada seca é melhor, menos risco de chuvas e tempo fechado com nuvens!

      Todas as empresas oferecem um serviço meio parecido, geralmente as agências captam e passam para um operador de trilhas. É bem comum que, no mesmo passeio, você sente ao lado de alguém que contratou o tour por outra empresa e pagou um preço diferente!

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