Cusco (PER): O Vale Sagrado dos Incas e a salineira de Maras

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Cusco é muito mais que Machu Picchu. Se a antiga capital do império Inca já é, por si só, uma cidade cheia de sítios arqueológicos, palácios e igrejas (diga-se de passagem que nunca vi tantas em um só lugar), as cidades do seu entorno também guardam muitas surpresas.

O porém de todo esse espetáculo histórico e arquitetônico fica por conta do tempo e dinheiro: é preciso dias para conhecer tudo e gastar uma boa grana para poder entrar em todas as igrejas e comprar as entradas de todos os sítios turísticos.

A verdade é que os sítios arqueológicos do Vale Sagrado, como Pisac e Ollantaytambo, surpreendem tanto quanto Machu Picchu. São maiores e mais complexas que a famosa cidade Inca escondida na selva. Visitei o Vale Sagrado em dois tours. Mas, para conhecer bem todos os sítios, é preciso dedicar ao menos um dia para cada local. E me arrependo de não ter reservado mais tempo para cada um deles. E se você for pra Cusco, não deixe de fazer os tours!

O Vale Sagrado dos Incas

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É formado por uma dezena de cidades Incas que se esparramam pelas montanhas e planícies formadas pelos rios Urubamba e Vilcanota. O ticket que comprei vale PER 70 e chama-se Valle Sagrado, dando direito a se visitar, em dois dias, quatro cidades do circuito: Pisac, Ollantaytambo, Chinchero e Moray.

Para conseguir ir em todos os sítios nestes dois dias, é preciso contratar dois tours: um que faz as três primeiras cidades e outro que passa por Maras e Moray (falaremos deles mais adiante). Ainda há a opção de se comprar o boleto turístico completo, por PER 130, que dá direito, por dez dias, a esse e mais outros dois circuitos localizados no entorno de Cusco. Cada tour sai por cerca de PER 30 (consegui por PER 27). Se você tiver tempo e disposição, invista os PER 130.

ônibus saindo de Cusco para cada uma das localidades a preços acessíveis. A Ollantaytambo, por exemplo, paga-se cerca de PER 4 o trecho. Fique atento, apenas, que os coletivos saem de um terminal de transportes diferente daquele  onde partem os buses para Lima, Puno e localidades mais distantes.

Uma dúvida que muita gente tem: se você for pegar o trem em Ollantaytambo para Machu Picchu, pode fazer o tour do Vale Sagrado que vão lhe deixar na estação próximo da hora de partida. Porém, você não irá fazê-lo integralmente.

E se você está indo pro Peru, saiba como é viajar de ônibus no país e não deixe de ler nossas dicas para economizar na sua viagem

Pisac

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Cada cidade Inca possuía uma função específica para o Império. Historiadores afirmam que Pisac era a maior do Vale Sagrado em extensão e suas terraças – espaços planos, parecidos com terraços, construídos nas ribanceiras das montanhas – as principais responsáveis por abastecer o reinado com cereais, principalmente milho.

A cidade, construída em forma de Condor, tinha diversos bairros, um cemitério (as covas são perfurações nas paredes da montanha. Em Pisac, mais de dez mil pessoas foram enterradas) e até uma praça central, que não pude conhecer porque chegar lá leva ao menos quarenta minutos.

Ollantaytambo

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É a única das cidades fortalezas do tempo do Império que segue habitada. Em verdade, Ollantaytambo era um centro militar e seus portões defendiam os caminhos que levavam a cidades como Machu Picchu.

Durante a conquista espanhola, Ollantaytambo virou capital do Império Inca durante a revolta peruana mais duradoura, liderada por Manco Yupanqui, quando as defesas da cidade foram reforçados. Quem faz o trekking do caminho Inca, costuma ter a cidade como ponto de partida.

Chinchero

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Se Pisac era responsável por grande parte dos cereais consumidos pelo Império, em Chinchero se concentrava a maior produção têxtil. É uma das cidades mais altas do Vale Sagrado, a 3750 metros, entre os nevados Salkantay, Verônica e Soray, e foi morada de um dos maiores conquistadores, o imperador Tupac Yupanqui.

Considerada uma das primeiras cidades onde os espanhóis tentaram impor sua cultura, se notabiliza pela construção de uma igreja sobre o palácio de Tupac Yupanqui. Mesmo assim, a maioria das casas que se encontram na parte histórica da cidade continuam intactas, da mesma forma como eram nos tempos de supremacia inca.

Valores como o ayni, que prega a ajuda mútua entre os moradores, ainda são preservados na cidade. Quando algum cidadão de Chinchero se casa, por exemplo, ganha um terreno e outros moradores o auxiliam a construir sua casa. No futuro, ele deve retribuir o favor.

Se você visitar a cidade, fique atento a detalhes como o cabelo das mulheres. Se possuem uma ou duas tranças, significa que estão bem casadas. Quanto mais tranças no cabelo, mais disponíveis estão para o matrimônio.

Maras

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A mina de sal de Maras é formada por mais de cinco mil poços em terraças, com 5 metros de diâmetro, irrigados pelas águas quentes e salgadas que vem dos topos das montanhas do vale. Na época de seca, o sal é extraído de forma artesanal, da mesma forma como faziam as civilizações pré-inca que descobriram a salinera. Maras, obviamente, era responsável pelo abastecimento de sal do Império.

Moray

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Dizem que Moray foi um laboratório agrícola para os Incas e, graças a isso, existem tantos tipos de batatas no Perú (há quem diga que são mais de mil espécies). É o único lugar do império onde se encontram terraças em formato circular. Acredita-se que a cratera foi formada por um meteoro, que caiu há muitos séculos e impede que a água fique empoçada no fundo. Era a cidade responsável pela produção de batatas.

Os tours

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Dura um dia, saindo da praça San Francisco entre às 7h e às 9h, saindo da praça San Francisco, com chegada em Cusco às 20h. São sete paradas. A primeira, em um mercado a uma hora de Cusco, seguida de um mirador para o vale (segunda foto da matéria). O terceiro ponto é o famoso mercado de Pisac, cidade que hoje se dedica à extração de prata. Somos levados a uma loja onde ensinam a identificar se a prata é falsa e os métodos de confecção de ornamentos.

Dali, parte-se a Pisac e depois a Urubamba, onde se almoça. As paradas seguintes são Ollantaytambo e Chinchero, para visita a igreja que foi construída em cima do palácio de Tupac Yupanqui. A última parada é um tear, onde ensinam o processo têxtil utilizado desde os tempos do Império.

Maras e Moray

O tour dura aproximadamente seis horas, com saída de Cusco às 9h. Novamente, visita-se um tear em Chinchero, onde será demonstrado o processo têxtil. De lá, se vai para as salineras de Maras e, depois, à Morais, conhecer o centro de plantio e pesquisa de batatas.

Custos

Boleto do circuito Vale Sagrado (Pisac, Ollantaytambo, Chinchero e Moray): PER 70 (válido por dois dias) ou PER 130 (englobando outros dois circuitos e válidos por cinco dias)
Entrada Salineras de Maras: PER 10
Almoço em Urubamba: a partir de PER 4,50 (tentam vender um buffet por PER 25 no pacote, mas é opcional)
Tour Vale Sagrado: PER 27
Tour Maras e Moray: PER 27

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