Parque Tayrona (COL): um pedaço de paraíso na costa colombiana

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O parque Tayrona é um daqueles lugares únicos no mundo e, se vai viajar pela costa da Colômbia, não deixe de conhecê-lo. Com 19.256 hectares preservados, conta com 34 praias banhadas pelo mar do Caribe (a maioria não é aconselhável para banho) e algumas trilhas em meio à mata atlântica. Ao caminhar fazendo pouco barulho e atento às árvores e ao chão, é possível avistar diversos animais silvestres, como lagartos, micos e macacos.

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A entrada (COP 42.000) e os produtos vendidos (a garrafa de 500ml de água sai por COP 4.000) são um pouco caros em relação aos preços praticados na Colômbia. Mesmo assim, vale passar pelo menos uma noite no parque.

Sem falar na oportunidade de ter contato com a cultura dos índios Taironas, que povoaram a parte norte da Colômbia por pelo menos mil anos. Estímasse que, quando os espanhois se estabeleceram em Santa Marta, existiam cerca de 200 cidades independentes, com um total de um milhão de habitantes. Locais sagrados – onde enterravam seus mortos e ruínas das construções de uma tribo que vivia no território parque – podem ser visitadas a partir de trilhas, muito bem demarcadas e sinalizadas.

Entenda o parque Tayrona

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Existem quatro entradas, sendo a principal “El Zaino” – a mais afastada de Santa Marta. Pelo que o funcionário da entrada me falou, não é permitido ficar mais de um dia se entrar por outro portão. Entretanto, o mapa fornecido pela administração mostra um camping em Bahia Concha, onde fica a entrada mais próxima de Santa Marta. É uma das seis praias que se pode nadar e muito popular, segundo os colombianos, que dizem que se pode, sim, passar noite lá, porém não há muita estrutura, como venda de água potável.

Ao chegar em El Zaino, é preciso passar por uma “aula” do que se pode ou não fazer e espécimes de flora e fauna encontradas no Tayrona. Não se pode entrar com bebidas alcoolicas ou sacolas plásticas, por exemplo. Depois da explanação, lhe dão um ticket para que possa comprar a entrada. Chegue cedo, porque as filas costumam ser enormes, mesmo na baixa temporada. Depois, é preciso caminhar 3,5 quilômetros por asfalto até a praia de Cañaveral ou pegar um transporte por COP 3.000.

Antes de chegar em Cañaveral, há uma trilha para Las Naranjas (não a fiz), que leva ao extremo do parque, onde o Rio Piedras se encontra com o mar e delimita a divisa da área protegida. A maioria das pessoas aconselham a pagar o transporte pago a Cañaveral, porque há pouco para se ver neste trecho. Fui caminhando e me rendeu a vista de alguns micos pelas árvores.

A partir de Cañaveral, é possível pegar duas trilhas até Arecifes, a primeira praia após Cañaveral: uma por dentro da mata, utilizada por cavalos, ou outra mais próxia ao mar, com várias bifurcações. É possível fazer o trajeto de cavalo. O trecho entre Cañaveral e Arecifes sai por COP 10.000.

As praias: onde dormir

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Praia de Arecifes

Das 34 praias, apenas é possível tomar banho em seis. As outras são todas bravas. Estimasse que mais de mil pessoas já morreram afogadas desde a criação do parque, na década de 60. Entrar ou não na água é uma decisão de cada um, ninguém vai impedí-lo se quiser se arriscar.

As praias calmas são as mais procuradas, principalmente El Cabo de la Guia, considerada uma das mais bonitas do parque. Pode-se dormir em cabanas (cerca de COP 40.000 por pessoa), redes e barracas (COP 25.000 por pessoa). Outra opção é levar sua barraca ou rede e ficar no camping (COP 15.000). Se for ficar em cabanas em El Cabo de la Guia, alugue-as logo na entrada. Paga-se um pouco mais, porém é garantido que conseguirá uma. O local é muito concorrido. Fui em baixa temporada e, pelas 15 horas, somente havia redes e poucas barracas para dormir. Da entrada até El Cabo de la Guia, são mais de dez quilômetros – ou três horas – de caminhada sob o sol quente e o clima úmido.

Estava com minha barraca e acabei ficando pelo camping de El Cabo de la Guia, porém me arrependi no final. Há campings e praias para nadar em La Piscina, que fica a 20 minutos de El Cabo, e cujos locais para dormir custam, no mínimo, COP 5.000 a menos. Como a praia é menos concorrida, você não precisará enfrentar uma longa fila para comprar água, comer ou ir no banheiro. Os pratos também são mais baratos (em El Cabo, uma porção pequena de massa com frutos do mar sai por COP 15.000). Líquidos, como sucos, cervejas e água, parecem ser tabelados em todos os lugares.

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Praia de El Cabo de la Guia

Outra opção é ficar em San Felipe, uma praia próxima a La Piscinita, onde também é possível banhar-se. Porém, a faixa de orla é muito pequena e chega a ser difícil entrar no mar. Mesmo assim, San Felipe está a cerca de 30 minutos de La Piscina e a 50 minutos de El Cabo, sendo uma opção econômica de se passar a noite.

A maioria dos campings possuem lockers. Se for deixar suas coisas em um, preste muita atenção na hora de abertura e fechamento, pois não ficam 24 horas disponíveis.

As trilhas: o que fazer

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Para chegar às praias, é preciso fazer as trilhas que existem dentro do parque. Há, ainda, dois caminhos usados pelos índios Taironas que seguem preservados.

Sendero de las 9 pedras

pedra-taironaFica logo na entrada de Cañaveral. São três rotas, sendo a “trilha A” a mais comprida e que passa pela maioria das nove pedras, que demarcam lugares sagrados para os Taironas. São pedras ovais, com pequenos buracos dentro. Entre os locais sagrados, visita-se onde enterravam os mortos, observavam as estrelas e jogavam uma espécie de “buzios” para ver o futuro, à beira da praia.

A trilha ainda leva até um mirador e passa por um lago habitado por jacarés. A cultura Tairona está muito relacionada à terra e dizem que os guerreiros precisavam se transformar em pedras. A rota A é feita em torno de uma hora, um pouco mais dependendo do sol.

Pueblito

Era uma das cidades onde os Taironas viviam. Seu acesso se dá pela Cabo de San Juan de la Guia, passando por trás dos banheiros. A trilha é morro acima, por entre e por cima de pedras. Os taironas tentavam camuflar os caminhos, que são fáceis de encontrar hoje em razão dos totens indicando por onde seguir. Há a necessidade de subir por algumas cordas, mas tudo muito tranquilo.

Em média, o trecho até o Pueblito, com três quilômetros e meio, é percorrido em uma hora e meia. Depois, se pode voltar por outra trilha, bem mais fácil. Há uma bifurcação na descida: um dos caminhos leva a uma praia mais distante, a Playa Brava. A outra vai para La Boca del Saco, que tem conexão direta com El Cabo. Ao total, percorre-se toda a trilha em pouco mais de três horas.

Não sobrou muito da antiga cidade, apenas escadarias de pedras e os locais onde montavam suas cabanas. É proibido tirar fotos no local, para preservar a intimidade das poucas famílias taironas que ainda vivem ali.

Há uma quantidade enorme de animais silvestres nesse trecho. Se puder caminhar fazendo o mínimo de barulho possível, é praticamente certo que aviste algum animal.

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Como chegar

É possível pegar um ônibus direto do Mercado Público até a entrada do parque por COP 7.000. Se você estiver no centro, o taxi até o Mercado sai por COP 5.000. Em um grupo de quatro pessoas, vale a pena pegar um taxi direto até o Tayorona, por COP 80.000. Ainda é possível ir de barco desde a praia de Taganga, por cerca de COP 40.000. Mas o preço varia muito. Um pescador queria me cobrar COP 80.000. De dentro do parque para Taganga, me fariam por COP 20.000.

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Custos e gastos

  • Entrada: COP 42.000 para estrangueiros. Estudantes com até 26 anos que apresentarem a carteirinha pagam metade.
  • Transporte: COP 5.000 taxi até o Mercado Público e COP 7.000 o ônibus para o parque. Na volta, com sorte, é possível pegar um transporte direto para o centro de Santa Marta por COP 15.000
  • Garrafa de água ou refrigerante (500 ml): COP 4.000
  • Lata de cerveja ou sucos: COP 5.000
  • Almoço/janta: Para comer bem, você vai pagar COP 25.000 em El Cabo de San Juan de la Guia. Nas outras praias, chega a sair quase pela metade
  • Lugar para dormir: COP 40.000 a cabana por pessoa em El Cabo, COP 25.000 a barraca ou a rede por pessoa e COP 15.000 o camping. Nas outras praias, pelo menos COP 5.000 a menos.
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El Cabo

Dicas

– Leve bastante água. Se puder, também vá com algo para comer. Não esqueça o chapéu, óculos de sol e repelente. Os mosquitos são violentos. Uma lanterna vai ser bem vinda, vários campings não ficam com as luzes ligadas depois das dez da noite.

– As trilhas não são difíceis, mas acabam ficando por causa do calor. Além de chinelos ou sandálias, é bom levar botas para caminhar entre as praias;

– Se pretende ficar em El Cabo, chegue bem cedo. A praia é muito disputada e o parque, mesmo abrindo às 8 da manhã, deve lhe receber com grandes filas, mesmo fora da alta temporada. Se estiver na alta temporada, pense em chegar às 8 horas, quando o parque abre, pois existe uma lotação limite;

– Muitas pessoas dizem ter passado por revistas minuciosas para ver se há sacolas plásticas ou bebidas alcoolicas nas mochilas. Ninguém me revistou ou o fez com quem falei, mesmo assim, leia bem as restrições antes de ir e tente seguí-las. Ser encontrado com algum objeto proibido causa expulsão do parque ou o pagamento de uma boa gorjeta para um guarda;

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