O que fazer em Pelotas, a cidade gaúcha das charqueadas e casarões históricos

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Conhecer Pelotas é como voltar alguns séculos no tempo, até uma época em que a cidade era o centro econômico do Rio Grande do Sul e estava entre as regiões mais ricas do Brasil. Casarões que eram habitados pelos ricos estancieiros e as fazendas de charque que desenvolveram o município continuam de pé, preservados. Muitos deles foram transformados em museus, hospedagens e outros estabelecimentos comerciais.

Pelotas, que fica do ladinho da cidade de Rio Grande, o primeiro povoamento fundado pelos portugueses no Rio Grande do Sul, também tem praias de água doce, com destaque para a praia do Laranjal, banhada pela Lagoa dos Patos.

Neste artigo, vamos falar um pouco da cidade gaúcha, suas principais atrações e dar dicas de hospedagens e de onde comer sem gastar muito. Confere aí!

Pelotas: uma volta ao passado

No final dos anos 1700, Pelotas não passava de uma região rural, com algumas fazendas quando os primeiros charqueadores portugueses começaram a se estabelecer a beira do Arroio Pelotas. Em menos de 50 anos, já haviam mais de 50 fazendas produzindo charque, levando ao desenvolvimento de um centro urbano. Virou cidade em 1835.

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Até 1930, quando o Banco Pelotense faliu e o declínio do charque já era uma realidade sem volta, Pelotas foi um centro cultural e econômico brasileiro. E boa parte dessa história de abundante riqueza segue preservada.

Como chegar em Pelotas

De avião – Pelotas possui um aeroporto internacional, o João Simões Lopes Neto. Atualmente, é utilizado principalmente para rotas nacionais e regiões, exploradas principalmente pela Azul. Há voos diretos desde algumas capitais brasileiras, como Recife.

De ônibus ou carro – Desde Porto Alegre, são 4 horas de viagem (de ônibus), sendo necessário pegar a BR-116, rodovia que costeia o Guaíba e a Lagoa dos Patos. As viagens de ônibus custam desde R$ 80 e partem veículos, pelo menos, de 3 em 3 horas entre os destinos.

Importante esclarecer que fizemos toda a visita utilizando transporte público e serviços de aplicativos de transporte, como Uber e o 99Pop.

O que fazer em Pelotas

A cidade de Pelotas possui diversos prédios com valor arquitetônico e histórico. Muitos deles não estão abertos à visitação, como o prédio que foi sede do Banco Pelotense e funciona uma agência do Banrisul, e o Teatro 7 de abril, primeiro teatro construído no Rio Grande do Sul e atualmente em reformas.

As charqueadas

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Das mais de 50 charqueadas que existiam em Pelotas no século XIX, cerca de dez tiveram parte de sua área preservada e podem ser visitadas. Entre elas, a charqueada São João, onde foi gravada a série “A Casa das Sete Mulheres” e que oferece, além de uma visita guiada, um passeio de barco pelo Arroio Pelotas.

Duas delas, a Charqueada Santa Rita e Charqueada Boa Vista, também são hospedagens. O local oferece um menu campeiro com três opção para janta e almoço, que vai desde R$ 30 (o prato) até R$ 50 (refeição completa, com entrada, prato principal e sobremesa).

Importante ressaltar que, para visitar as charqueadas, as administrações costumam cobrar uma taxa (no caso da Santa Rita, não hóspedes precisam pagar R$ 20 para visitar o local). A Charqueada São João, única que possui visitas guiadas diárias, cobra R$ 40. Também oferecem passeios de barco por R$ 50, pelo Arroio Pelotas, com duração de 40 minutos.

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Quanto a passar a noite na Charqueada Santa Rita, é possível encontrar suítes a partir de R$ 200 a diária para casal e você pode reservar clicando aqui. Quem passeia em casal ou com a família, recomendamos que passe pelo menos uma noite em uma charqueada.

Desde a Rodoviária até a Charqueada Santa Rita, gastamos R$ 9,50 de Uber. Até o centro, foi R$ 13,40.

Os casarões do Centro

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Por toda a cidade, é possível encontrar casarões e prédios magníficos, com atenção especial para os que rodeiam a Praça Coronel Pedro Osório, a praça central da cidade. Ali está a Bibliotheca Pública Municipal; o Casarão 8 ou Museu do Doce; o Casarão 6 ou Museu da Cidade e o Centro Cultural Adail Bento Costa ou Casarão 2. E o que mais gostamos foi exatamente do Casarão 2.

Todos os locais tem entrada franca. O Museu do Doce, instalado no casarão construído em 1878 por Francisco Antunes Maciel, Conselheiro do Imperador, conta um pouco da relação da cidade com os doces, principalmente os portugueses. Além da colonização portuguesa, o açúcar era abundante na cidade: os navios, que saíam carregados de charque em direção ao nordeste do Brasil, voltavam carregados com o produto.

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O Casarão 2 foi o primeiro a ser construído em Pelotas – em 1820, por José Antônio Moreira, Barão de Butuí. Decadente, em total estado de abandono, foi adquirido pelo pintor e restaurador Adail Bento Costa, que começou, por vontade própria, a restaurá-lo. Além de duas galerias de arte, é possível transitar por cômodos restaurados e ver como o casarão era em seus primórdios.

A Biblioteca Pública e o Museu da Cidade não conseguimos visitar, pois estavam fechados. Sem possibilidade de visitação, ainda se destacam no entorno da Praça o Museu de Ciências Naturais Carlos Ritter, o prédio do Grande Hotel e, ao seu lado, o antigo prédio do Banco do Brasil, hoje abandonado.

Em frente ao Mercado, ainda funciona o Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo, no prédio onde foi fundada a primeira faculdade de agronomia do Brasil. O museu tem entrada franca.

Horários de funcionamento

Biblioteca Pública de Pelotas: Segunda à Sexta: 09h às 18h
Museu do Doce: De Terça à Domingo, das 14h às 18h30min
Centro Cultural Adeli Bento Costa: Segunda à Sexta, das 12h30 às 18h30
Museu da Cidade: Fechado para visitação
Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo: De terça a domingo, das 10h às 19h30

Todas as atrações tem entrada franca.

Mercado Público de Pelotas

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Foi construído em 1848 e segue funcionando como um ‘Mercado Central’. Não pense que é um lugar totalmente voltado para turistas: existem desde restaurantes mais especializados, na parte interna do prédio, até lugares mais populares, na parte de fora, que servem pratos feitos a partir de R$ 13. À noite, vale a pena sentar em um dos bares do entorno e tomar uma cerveja.

Há um detalhe bem peculiar no prédio: no Centro, foi instalado, em 1914, um relógio e um farol metálico, cujas formas lembram a Torre Eiffel e homenageia a obra francesa. A peça foi importada de Hamburgo – nessa época, o Brasil não tinha nem mesmo uma indústria siderúrgica para produzir ferro.

A parte interna do Mercado Público fica aberta das 9h às 19h30. Já os bares e restaurantes localizados na parte externa ficam abertos até a meia noite.

Catedral Metropolitana São Francisco de Paula

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As primeiras obras datam de 1813, quando foi construída uma pequena capela no local. Com o passar dos anos, a cidade de Pelotas foi crescendo e diversas ampliações realizadas. Em 1948, com capacidade para quase 2 mil pessoas, foi iniciada mais uma restauração, que deixou a edificação com as características que possui hoje.

Nela, o Papa João XXIII encarregou os artistas italianos Aldo Locatelli, Emilio Sessa e Adolfo Gardoni de cuidarem da decoração interna da Catedral, que fora reinaugurada em 1951. O igreja permanece aberta para vistação de segunda a sábado, das 10h às 19h30, e domingo, das 9h às 12h, com entrada franca.

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Parque e Museu da Baronesa

museu da baronesa

O Solar da Baronesa foi construído em 1863 e, no ano seguinte, receberam os recém-casados Annibal e Amélia Hartley Antunes Maciel. Ganharam notoriedade por assinarem, em 1884, cartas de alforria para todos os seus escravos, libertando-os todos 4 anos antes da assinatura da Lei Áurea. Por causa do gesto, o então imperador Dom Pedro II deu a Annibal o título de Barão de Três Serros.

Após a morte de Annibal, Amélia se mudou para o Rio de Janeiro, ficando a casa sob os cuidados de sua filha, também chamada Amélia, que ficou muito conhecida na cidade por sua bondade e ações filantrópicas, vindo daí o nome de Solar da Baronesa. Em 1979, a família entregou a chácara para o município.

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O horário de funcionamento é de terça a sexta, das 13h30 às 18h, e sábados, domingos e feriados, das 14h às 18h. O ingresso para o parque é franco e para o museu custa R$ 2,00 por pessoa – crianças até 12 anos têm entrada gratuita; para estudantes e pessoas acima de 60 anos – R$ 1,00 por pessoa.

Não conseguimos visitar o Museu, que busca reproduzir os cômodos com objetos de época, pois estava em reformas. Um Uber, desde o Centro da cidade, custa cerca de R$ 8.

Igreja Anglicana ou Igreja Cabeluda

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A igreja não está aberta à visitação propriamente dita, mas são realizadas celebrações sempre aos domingos pela manhã e nas quartas, as 17 horas. Foi aberta ao público em 1892 e chama a atenção por causa das heras que cobrem toda sua estrutura e mudam de cor conforme a estação do ano, indo do verde na primavera até o marrom no outono.

Praias do Laranjal

As praias do laranjal são um dos principais pontos turísticos de Pelotas, muito utilizados pelos moradores locais principalmente no verão. Elas estão a cerca de 10 minutos do Centro de Pelotas e 13 quilômetros desde a rodoviária.

Banhadas pelas águas da Lagoa dos Patos, as praias receberam esse nome por causa da possível instalação de uma plantação de laranja no local, o que nunca veio a acontecer. Atualmente, o Laranjal possui três balneários e uma estrutura com pousadas, restaurantes e outros estabelecimentos, que podem não estar abertos na baixa temporada.

Um Uber desde a rodoviária sai por em torno de R$ 20.

Praia do Laranjal.jpg
CC BY-SA 3.0, Link

Onde se hospedar em Pelotas

Quem busca conforto ou até fazer uma viagem mais romântica, a sugestão é se hospedar na Charqueada Santa Rita – Pousada do Charme. O antigo casarão que servia de sede da fazenda e um dos galpões foram transformados em belas suítes e clima tranquilo da charqueada, à beira do Rio Pelotas, é convite a tranquilidade. As diárias para casal custam a partir de R$ 200 e incluem um belo café-da-manhã. Você pode conferir descontos ou até reservar a pousada clicando aqui.

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Hostel Villa Santa Eulália

Já para quem quer economizar ou está fazendo uma viagem mais ao estilo mochileiro, nossa dica é o hostel e pousada Villa Eulalia, que fica pertinho do centro da cidade. As diárias saem a partir de R$ 50 em quarto com camas compartilhadas ou R$ 120 o quarto privado para casal. Você pode encontrar mais informações ou reservar clicando aqui.

O clima em Pelotas

Pelotas é uma cidade de clima agradável, com os termômetros marcando cerca de 20º durante todo o ano. No inverno faz mais frio, com a temperatura caindo para menos de 10º nas noites e madrugadas. No verão, não costuma fazer mais do que 30º. Ao mesmo tempo, é uma cidade onde chove bastante, mas com quedas d’água bem distribuída durante todo o ano.

Quanto tempo ficar em Pelotas

Para quem quer conhecer tudo o que a cidade tem a oferecer – desde o Centro histórico, passando pelas charqueadas até as praias de água doce – recomendamos, pelo menos, dois dias em Pelotas, sendo três dias o ideal. Seria um dia para explorar as atrações mais do centro da cidade, outro para as Charqueadas e o Museu da Baronesa, e por fim um último para conhecer o Laranjal.

Henrique Lammel

Jornalista e produtor de conteúdo

4 comentários em “O que fazer em Pelotas, a cidade gaúcha das charqueadas e casarões históricos

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