Parque Conguillio (CHL): a porta de entrada da patagônia chilena

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Vulcão Llaima, vista do sendero de la Sierra Nevada

Depois de Torres del Paine e do Deserto do Atacama, Conguillio, a 100km de Temuco, é o parque chileno que mais recebe turistas por ano. Famoso principalmente pelos bosques de araucárias e lagos cuja areia se transformam em praias no verão, tem como principal atração o vulcão Llaima, um dos mais ativos na América do Sul.  Ele teve erupção constantes nos anos de 2008 e 2009 e obrigou as autoridades locais a evacuarem o parque e cidades próximas várias vezes neste período.

O parque ainda reserva dois circuito de trekking e é um centro de preservação da cultura dos índios mapuches. Como o parque é grande, o bom seria passar pelo menos uma noite dentro dele. Existem dois campings, um por 5.000 (R$ 25, na Laguna Verde) e outro por 6.500 (R$ 32,50, próximo do Lago Conguilio).

Para quem prefira um pouco mais de comodidade, o parque possui cabanas e dormitórios nos campings próximos a Laguna Conguillio. A entrada para estrangeiros custa 6.000 CHL (R$ 30).

Melipeuco

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É a minúscula cidade, com três ruas, localizada entre Temuco e a fronteira com a Argentina Icalma – Villa Peuhenia, onde está localizado o parque. O pueblito, distante 600km de Santiago, tem alguma estrutura para receber os visitantes, como caixa eletrônico, restaurantes, centro de turismo e muitos, muitos campings, que custam a partir de 4.000 CHL (R$ 20).

Fiquei em um camping a duas quadras de onde o ônibus para (não há estação na cidade), sem internet e sem água quente. Há diversos pequenos mercados na cidade e, pasmem, os produtos custam mais baratos que em Santiago, Concepcion ou qualquer cidade chilena mais ao norte.

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Como chegar

Saindo de Santiago, primeiro deve-se ir até Temuco, uma cidade localizada a 540 km da capital do Chile. Depois, para Melipeuco, que está a 40km. Os ônibus saem de duas e duas horas do terminar rural de Temuco (3.000 CHL ou R$ 15), localizado no centro da cidade.

Também é possível chegar a Melipeuco pela Argentina, porém é um pouco mais complicado. Primeiro, você precisaria se chegar a Neuquen (cerca de 1000km de Buenos Aires). De Neuquen, saem ônibus para Villa Pehuenia, que fica a 10km da fronteira e 15km de Icalma, a primeira cidade em território peruano. A travessia teria que ser feita a pé, pois não há ônibus. De Icalma, saem dois ôniubus por dia a Melipeuco.

Já em Melipeuco, deve-se pegar o ônibus que vai até o parque Conguillio, que passa uma vez por dia, sempre pelas 13h, com volta para a cidade prevista para às 16h. Mas é bem comum que se vá, volte e se recorra parque pedindo carona, prática comum na região. Inclusive, não sei quanto custa o ônibus porque acabei fazendo tudo no dedão.

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O que fazer

Laguna Arco-Íris

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Fica a uns 20 minutos da entrada principal do parque de carro ou ônibus, logo após passar a Laguna Verde. Há uma trilha curta, que dá a volta pela Laguna Arcoiris e vai subindo por um escorrial (lava petrificada do vulcão), voltando para a estrada. Peguei uma carona até esse ponto, depois segui caminhando por mais duas horas até a área de camping próxima a Laguna Conguillio.

Laguna Conguillio

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É a laguna que dá nome ao parque. Suas águas são próprias para o banho e, no verão, há muita gente nadando e praticando esportes aquáticos. Mas se meter nas águas de um lago formado pelo degelo de nevados não é para qualquer um, principalmente para nós, brasileiros.

Mirador de la Sierra Nevada

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É preciso enfrentar uma trilha de 10km com um aclive de 800 metros, que inicia a meio caminho entre a Laguna Arcoíris e o Lago Conguillio. Em média, se leva três horas para subir e duas para descer. A recompensa são as vistas mais bonitas do parque a partir de cinco miradores distintos.

Se for fazer a trilha, não esqueça de levar bastante água, pois não se encontra fontes pela caminho. Com sorte e na época certa, é possível avistar dezenas de condores.

Sendero del carpintero

Não tive tempo para fazer toda a trilha do carpintero (são vistos muitos pica-paus no caminho; carpinteiro é como chamam o pássaro em castelhano). Como o tempo era curto, fiz apenas um terço dela, indo até a Araucária Madre (uma araucária com 1800 anos e 50 metros de altura). Caminhando por mais três horas, chega-se até a Laguna Cáptron.

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Dicas

– Toda a água do parque é potável. Há diversas placas indicando fontes que estão distantes das trilhas. Basta ficar atento;

– Se você for corajoso, não esqueça de levar roupa de banho. Faz muito calor no parque, mas a água das lagunas é muito, muito fria;

– É proibido fazer fogueiras no parque. Somente está permitido o uso de fogareiros a gás nas áreas de acampamento;

– Perto da área de acampar da laguna Conguillio, há restaurantes e uma venda de mantimentos. Porém, evite: os preços são até três vezes mais caros que na cidade.

– No verão, não espere um clima muito ameno durante o dia, porém esteja preparado para enfrentar muito frio durante a noite. A temperatura chega a variar entre 5º e 35º em 24 horas.

– Cuide com sua comida. Há muitas lebres, ratos e coelhos no parque. Sempre mantenha armazenada em sacos herméticos e, se possível, pendure tudo em uma árvore.

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