Como chegar na Isla del Sol, no lago Titicaca

cidade de yumani

A Isla del Sol está localizada no Lago Titicaca, a duas horas e meia de barco, desde a cidade de Copacabana. Caminhar pela ilha não é garantia de se encantar somente com a tranquilidade e a beleza do lago mais alto do mundo: significa viajar por séculos na história e ter contato com os primeiros lugares considerados sagrados pelas civilizações andinas.

Mesmo antes dos Incas, o Titicaca era considerados sagrados pelos povos pré-colombianos. As lendas incas, por sinal, dizem que a civilização surgiu na ilha. Inti, o deus Sol, ficou decepcionado ao olhar para a terra e ver que os homens viviam de forma selvagem, sem organização. Assim, deu vida a Manco Capac e Mama Ocllo, os dois primeiros incas, cuja responsabilidade foi ensinar aos homens os princípios da agricultura, artesanato e da religião.

Lenda ou não, parte da história da origem da civilização está contada na Roca Sagrada, no Templo del Sol e vários outros sítios preservados ao longo Do Willka Thaki, a estrada construída pelos incas que une o norte ao sul da ilha.

Hoje, o território da Isla del Sol é dividido por três comunidades: Challapampa (no norte), Challa (centro) ou Yumani (no sul). Vale lembrar que há pouca estrutura: energia elétrica, pode haver por algumas horas, em Yumani. Há alguns restaurantes e hoteis, porém é um costume dormir e comer na casa de locais.

Como chegar na Isla del Sol

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O barco para a ilha sai duas vezes ao dia do porto de Copacabana, às 8h e às 13h. Não é necessário contratar empresa de turismo, basta chegar no porto e comprar um bilhete em uma das duas empresas constituídas por cooperativas de moradores. O trecho custa BOL 25 (R$ 12,50) até a cidade do norte e BOL 15 (R$ 7,50) até a do sul.

A primeira parada é sempre Challapampa, levando de duas e meia a três horas a viagem. O mais comum é que se desça na cidade do norte, percorra-se o Willka Thaki até Yumani e, pela tarde, se toma o barco para voltar a Copacabana.

Conflito na Isla del Sol

O norte e centro da ilha (Challapampa e Challa) pode estar fechado em razão de conflitos entre os moradores das duas cidades, deflagrados em 2017. Informe-se sobre ao chegar em Copacabana.

Willka Thaki

A estrada cruza a Isla del Sol de norte ao sul e passa pelos principais sítios sagrados da ilha, como o Templo del Sol e uma mesa de sacrifícios. Ao descer em Challapampa, os turistas serão recebidos por um morador que oferecerá os serviços de guia e os convidará a conhecer o museu da cidade.

Para entrar no Willka Thaki e cruzar cada um dos três setores, é necessário pagar três pedágios, para cada uma das comunidades da ilha. Eles custam de BOL 10 a BOL 15 o trecho.

São pouco mais de 10km, que você terá cinco horas para percorrer. Não é uma caminhada muito exigente, com aclives ou declives acentuados. A dificuldade fica por conta do cansaço provocado pelo mal de altitude. Por isso, caminhe sem pressa.

A Roca Sagrada e o Templo del Sol são alcançados após cerca de uma hora de caminhada. De lá, entra-se no território de Chala. São mais uma hora até entrar em Yumani e começar a descer para o porto.

As cidades da Isla del Sol

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A cidade mais comercial e com mais estrutura é Yumani. São diversos restaurantes e hostelarias a preços justos. O destino favorito para quem procura mais tranquilidade acaba sendo Challapampa (lembre-se, porém, que está parte da ilha pode estar fechada).

Geralmente, se busca hospedagem na casa de um morador local, podendo-se obter uma boa barganha. Porém, há pousadas organizadas e hosteis na Isla del Sol. No booking, são poucas hospedagens. A mais barata cobra R$ 40 pela cama, com café da manhã.
Booking.com

Mesmo em Challa, há três ou quatro hospedagens, a maioria próxima às margens do caminho inca.

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Dinheiro e infraestrutura

A Isla del Sol não possui muitos estabelecimentos que aceitam cartão, muito menos bancos ou caixa eletrônicos. Então, vá preparado. E tente já ir com seu dinheiro trocado, não leve nem mesmo dolar. Dê preferência por utilizar pesos bolivianos.

O shaman e a Isla del Sol O shaman veste uma touca branca e masca, sem parar, folhas de coca. Sento perto dele e da antiga mesa de cerimônias, toda de pedra, usada pelos incas. Puxo papo. Ele se oferece pra me dar uma benção. Pede que me sente ainda mais próximo da mesa, em uma pedra que serve de banco, e tente relaxar. A mesa está coberta com um pano branco, flores, frascos e algo que parece queijo. O shaman pega uma panela de barro com algum líquido dentro e para na minha frente, tapando toda a vista que tenho do imenso Lago Titicaca. Pede que feche os olhos, sinta o sol e limpe a mente. Com a mão na minha cabeça, começa a repetir um mantra. Sem parar de repetir as palavras, começa a jogar o líquido, com a ajuda de uma flor vermelha, na minha cabeça. Quando meu cabelo está completamente molhado, assim como minha calça e minha camisa, pede que abra as mãos. Com a ajuda da flor, lança o líquido escorrer pelos meus dedos, pegajoso. O shaman pede que me levante e me dá um abraço. Lhe dou alguns bolivianos. Ele me pede para sentir as pedras. Três passos distante da mesa me sinto tonto, com muita raiva e vontade de chorar. Como bixo acuado, vou segurando tudo e tento me afastar das pessoas para liberar os sentimentos escondido. Escalaminho uma pedra, tento ir o mas alto que posso e me sento. Penso em fumar um cigarro, mas quando o pego, não tenho vontade. Em vez de deixar tudo sair em um grito, o sol vai secando minha raiva, o vento leva a vontade de chorar para longe. Olho para a imensidão azul do Titicaca e me sinto vivo. Muito vivo.. . . #conto #viagem #causo #aconteceu #miniconto #cronica #literatura #textos #turismo #benção #natureza #mistico #historia #gratidão #gratidao #mochilão #apenomundo #americadosul

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Henrique Lammel

Jornalista e produtor de conteúdo

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