Guia de trilhas para fazer em El Chaltén, capital do trekking da Patagônia Argentina

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El Chalten é um pequeno povoado, fundado em 1985, com menos de 1500 habitantes permanentes. Está localizado dentro do Parque de los Glaciares (o mesmo de El Calafate). A cidade é considerada a capital do trekking na Patagônia e não se deve apenas pelo pico Fitz Roy, principal símbolo da região sul da Argentina.

Neste post, faremos um resumo das trilhas próximas ao povoado, falaremos sobre como chegar nessa cidade em meio a montanhas e os custos e lugares para dormir na cidade. Confere aí o nosso guia sobre El Chaltén!

 



Capital do trekking na patagônia argentina

Se você gosta de atividades em meio à natureza, coloque Chaltén na sua lista de destinos. São dezenas de trilhas e travessias que começam nos limites da zona urbana da cidade e levam a glaciares, lagos e lagunas. A maioria delas podem ser feitas como um “bate-volta”, indo e voltando do povoado, sem necessidade de tomar qualquer tipo transporte ou de acampar.

A trilha até o Fitz Roy, desde o centro de El Chaltén, por exemplo, tem 27 quilômetros. O trajeto, mesmo sendo puxado, pode ser feito em um dia, principalmente no verão, quando os dias chegam a ter 16 horas de sol.

o que fazer el chalten argentina

Custos e gastos em Chaltén

El Chaltén é, hoje, uma cidade voltada ao turismo. Por isso, espere preços mais caros em restaurantes e até mesmo nos mercados – todos eles pequenos armazéns. Se sua ideia for economizar, compre mantimentos em Calafate ou em outra cidade antes de viajar para Chaltén.

Outro custo alto é para chegar à cidade, se você fizer de ônibus. Os trechos são bem caros nessa parte patagônia argentina. E aí, para economizar, a única forma é a carona.

O bom que você não precisa gastar um centavo com agências ou com o parque. Todas as trilhas são bem demarcadas e autoguiadas, e você pode fazê-las de forma autônoma, sem necessidade de contratar um guia. A entrada para o parque Los Glaciares, nessa região, também é gratuita, como todos campings em El Chaltén, localizados dentro da área de preservação.

Inclusive, não é necessário fazer reserva, basta chegar. Entretanto, os campings possuem pouca estrutura, sem chuveiro e com banheiros ecológicos (um buraco no chão).

trilhas em el chalten

Como chegar

De avião – O aeroporto mais próximo de Chalten está em El Calafate. De lá, é preciso pegar um ônibus para a cidade.

Ônibus – Faz, pelo menos, três viagens por dia entre as cidades de Chaltén e Calafate e custa ARG 450 (R$ 90). Ainda há ônibus diários desde Los Antiguos (Chile), passando por Perito Moreno (a cidade e não o glacial, não confunda – custa ARG 1120).

Ainda há coletivos, pelo menos duas vezes por semana, de Bariloche, passando por Bolson e Esquel. Se você vier de Puerto Natales ou Punta Arenas, terá primeiro que ir a El Calafate, para depois tomar um coletivo a Chalteé. A cidade é super pequena e pacata e, desde a rodoviária, pode ir caminhando em poucos minutos até sua hospedagem.

No verão, essa frequência de viagens entre as cidades aumenta, da mesma forma que diminui durante o inverno.

Carona – É bem fácil de conseguir carona na patagônia, principalmente de Calafate até Chalten (o contrário já é difícil e não recomendamos se você não tiver uma barraca). A dificuldade acaba sendo causada pelas outras pessoas que também estarão tentando sair de carona da cidade. Porém, a maioria dos mochileiros fica na ponte na entrada do centro da cidade, quando o melhor lugar é o antigo posto da polícia, onde há o letreiro de Calafate.

Onde se hospedar

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O Hostel mais barato se chama 4 Estaciones e custa ARG 120 (R$ 24). Está localizado próximo ao início da trilha para a Laguna de los Três e é simples, porém limpinho. Fiquei também na hospedagem “La Huella”, na avenida principal, ao lado de um restaurante. Custa ARG 150 (R$ 30) e é o segundo lugar mais barato. Não sou muito de me queixar, mas tanto a higiene quanto o atendimento não foram nada legais quando passei por lá.

Nenhuma dessas hospedagens possui página na internet, booking ou o que for. Fica o alerta que o 4 Estaciones é melhor e mais barato. Porém, se você pretende se hospedar nele, é bom chegar antes das 17h, quando começa a encher de mochileiros descendo a trilha para a Laguna de los Tres.

Se você conseguir se planejar com alguns meses de antecedência e reservar uma hospedagem com bom café-da-manhã, melhor. Em site como o Booking.com, é possível conseguir boas ofertas com antecedência. Lembre-se que a comida em El Chaltén é cara e essa pode ser uma boa forma de economizar. Sem contar que é a refeição mais importante do dia, ainda mais se você pretende encarar alguma trilha!

Trilhas e trekkings

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A maioria dos trekkings são feitos dentro do Parque Nacional de los Glaciares, cuja entrada é franca na região. Parque que é considerado um Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Se você pretende acampar em Chlante, é preciso ter um equipamento que aguente temperatura inferiores a 0º, mesmo no verão. Um saco de dormir com conforto 0º é indispensável.

Durante o dia, as temperaturas são mais amenas e você certamente vai estar se movimentando. Mesmo assim, roupas e uma bota impermeável são equipamentos indispensáveis, pois o tempo é muito instável nessa região da patagônia e pode chover a qualquer momento. Estar molhado e com frio não é uma boa ideia por aqui.

As distâncias são calculadas com base em ida e volta da cidade. Todas as trilhas estão bem sinalizadas e são auto-guiadas, não sendo necessária a contratação de um guia.

Laguna Capri, Laguna de los Três e Fitz Roy

laguna de los tres fitz roy paratonia

A mais famosa trilha de El Chalten leva até os pés do monte Fitz Roy, onde fica a Laguna de los Três. Ela passa ainda pela Laguna Capri, com um camping gratuito que pode ser uma boa opção para passar a noite na alta temporada, época em que o camping gratuito Rio Branco, uns 6km mais a frente, mais próximo do cerro, fica lotado.

Pode ser considerado um trekking difícil se a ideia for subir e descer no mesmo dia, pois há um aclive e declive acentuados, principalmente após passar o último camping.
Distância: 26km
Dificuldade: Difícil
Aclive acumulado: 1000 metros

Laguna e glaciar Torre

glacial torre el chalten

Trekking de nível médio, porém com menos aclive e declive se comparada à subida ao cerro Fitz Roy e a Laguna de los Três. Quase na laguna, há um camping gratuito a esquerda, dentro de um bosque. É possível caminhar pela encosta da laguna para chegar mais perto e ter uma vista privilegiada do Cerro Torre.
Distância: 24km
Dificuldade: Moderada
Aclive acumulado: 600 metros




Circuito de três dias pelos cerros Fitz Roy e Torre

el chalten fitz roy

Quando fui para El Chalten, decidi fazer o trekking para os montes em forma de circuito. Com isso, dormi uma noite no camping do cerro Fitz Roy e outra no do cerro Torre. Acampar não é só uma forma de ter um contato mais próximo com a natureza: é uma boa forma de economizar. Nessas, foram duas noites a menos de estadia, já que os locais de acampar são grátis.

Saia cedo de Chalten que você chegará cedo no camping Rio Branco e poderá visitar o Fitz Roy no mesmo dia (e garantirá um bom local, mais afastado da trilha, por onde passa muita gente). Na manhã seguinte, é possível fazer uma conexão entre as trilhas pelas lagunas Madre y Hija. Priorize fazer nessa direção, pois o terreno vai descendo.
Distância: 36km
Dificuldade: Fácil
Aclive acumulado: 1200 metros

Laguna Toro ou Tunel

trekking el chalten

A Laguna Toro é passagem para quem quer fazer a Vuelta del Huemul, um trekking de quatro dias por uma montanha de mesmo nome. Acabei não fazendo, pois necessitaria de alguns equipamentos para uma tirolesa e conhecimentos técnicos que não tinha.

Entretanto, fiz parte do caminho, acampando na Laguna Toro. A caminhada foi puxada, principalmente pela distância, o frio e o aclive na volta, mas foi uma experiência muito válida entrar tão profundamente nos campos de hielo del sur e ver com os próprios olhos o deserto criado pelo frio.

Há um ponto, logo após passar o desvio para o mirador del Plegue Tumbado, que a navegação fica um pouco complicada, ou pelo menos ficou, por causa da estação. Como era outono, as folhas das árvores caíram e taparam a trilha. Entretanto, basta lembrar que a laguna Viedma deve ficar sempre a esquerda e logo atravessa-se o bosque, ganhando um vale onde a trilha volta a ficar clara.

Para acampar na Laguna Toro, é necessário se registrar no centro de informes do parque. O pernoite é gratuito no camping.
Distância: 36km (apenas Laguna Toro)
Dificuldade: Moderado (se feito em dois dias)

Mirador del Plegue Tumbado

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Esse foi um dia de muito azar, já que começou a nevar em Chaltén e quando chegamos no mirador, não se podia ver nada. Mas é uma trilha com bastante aclive e dizem que em dias abertos, permite a melhor vista da cidade. Por causa da neve, ficou bem complicado caminhar nos locais mais abertos. Como o solo tem muitas pedras, ficou escorregadio. A subida é dura, comece a caminhar cedo.
Distância: 22km
Dificuldade: Moderado
Aclive acumulado: 1000 metros

Mirador de los Condores y de las Aquilas

Os miradores ficam próximos ao centro de informes do parque e são caminhadas leves. Tente ir pela manhã, pois o sol se põe atrás do monte Fitz Roy pela tarde e atrapalha na hora de fazer aquela foto fantástica lá de cima.
Distância: 3km
Dificuldade: Fácil

Chorillo del Salto

cachoeira agua pedras

Outra caminhada leve, com início no mesmo ponto onde começa a trilha a Laguna de los Três. São menos de 30 minutos de caminhada por uma trilha que acompanha a estrada e leva até a cascata.
Distância: 6km
Dificuldade: Muito fácil

Piedra del Fraile e Lago Elétrico

São percursos fora do parque, em uma região privada. A trilha só fica aberta em alta temporada – quando fui, em abril, estava fechada, então não posso falar muito porque não percorri o trajeto. Pelo menos três pequenas trilhas se espalham pelo vale do rio Elétrico. É possível chegar próximo dos glaciares Pollone, Marconi e de diversas lagunas.

Há uma trilha que liga a Piedra del Fraile com o acampamento do Fitz Roy, passando pelo glaciar Pedras Brancas (quando fui, o acesso a essa trilha também estava fechado por apresentar alguns pontos perigosos, mas algumas pessoas estavam passando por ela).

Lago del Desierto e Lago O’Higgins

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By Adroar – Propio, CC BY-SA 3.0, Link

O lugar é destino principalmente de quem viaja de bicicleta, pois o Lago del Desierto fica próximo a um passo para o Chile, para a Villa O’Higgins, que é feito passando de barco por um lago de mesmo nome. Entretanto, informe-se sobre as travessias se for na baixa temporada, pois o número de transbordos diminui muito.

Quando ir para El Chaltén

A melhor época para visitar El Chalten é entre outubro e março, quando faz menos frios e os dias são mais longos. Em janeiro, chega a fazer 16 horas de sol.

A maioria das atrações são trilhas, ao ar livre. Os dias chuvosos também são mais frequentes no inverno, da mesma forma que o frio é mais severo. Mesmo assim, esteja preparado para tempo ruim mesmo no verão: o tempo é instável durante todo o ano na patagônia argentina.

Dicas finais

– Se o orçamento estiver apertado, leve toda a comida que você puder para El Chaltén. Há diversos mercados, porém todos pequenos e praticando preços elevados;

– Se a ideia é economizar, pense em passar uma ou duas noites acampado nos campings do parque, que são grátis. Nem preciso dizer que, com os altos preços praticados pelos restaurantes, cozinhar em Chaltén não foi opção para mim, e sim uma necessidade;

– Se for acampar no parque, tenha um saco de dormir, com pelo menos conforto 0º. É sério!

– Toda a água da região é potável;

– A cidade possui apenas um caixa eletrônico e o câmbio não é favorável na cidade  se comparado com Calafate. Caso estiver utilizando cartão para sacar, é bom fazer antes de ir pra Chaltén (como em Calafate), pois não é raro que o terminal de autoatendimento esteja sem dinheiro. Outra opção, se você for pro Chile, é trocar o máximo de reais por pesos chilenos, cujo câmbio vai ser bem valorizado em pesos argentinos.

– O Centro de Informes Turísticos de Chalten fica dentro da rodoviária, mas não foi de muita ajuda. Já o serviço de informações do parque é ótimo e também fica próximo da rodoviária, do outro lado da ponte da entrada da cidade;

– Viajar de carona é muito viável e uma experiência que vale muito a pena na patagônia!

El Chalten e a disputa por território

A cidade foi fundada devido a uma polêmica territorial com o Chile. Os dois países não conseguiam definir o ponto mais alto da Cordilheira dos Andes na região dos Campos de Hielo del Sur, sempre tomado pelo gelo e neve. Para marcar território, os argentinos fundaram a cidade.

A região sempre atraiu amantes dos esportes de aventura, principalmente escaladores. Com a cidade, vieram também as ruas asfaltadas e a energia elétrica. O acesso às belezas naturais foi facilitado e o turismo começou a ser incentivado. Imagine que o Fitz Roy está a pouco mais de dez quilômetros de um quarto com calefação!

Se o ciclo de crescimento de visitantes continuar, é bem possível que algumas restrições sejam aplicadas para visitar o parque em breve, em um sistema parecido com as do parque chileno  Torres del Paine (clique aqui e saiba mais). Por isso, se você pensa em conhecer Chalten, talvez seja uma boa ideia colocar ela como prioridade!

7 comentários em “Guia de trilhas para fazer em El Chaltén, capital do trekking da Patagônia Argentina

  • dezembro 4, 2017 em 5:20 pm
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    Olá, curti muito seu blog e o relato sobre essa viagem a El Chaltén. Eu e minha esposa iremos pra lá agora em Janeiro de 2018 e por desencargo, tu acha que vale investir em uma roupa pra frio, não digo frio extremo, mas uns fleeces, jaquetas impermeáveis, segunda pele ou coisa do tipo.
    Abração.

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    • dezembro 4, 2017 em 6:04 pm
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      Opa, valeu!

      Então, vale investir sim. Roupa impermeável, de preferência um casaco que também seja corta vento, é item obrigatório. Botas também.

      Não tem esquece que Chalten ta super perto dos campos de Hielo del Sur. É tanto glacial e neve perto que, quando o sol bate, logo formam-se nuvens e o ciclo de chuvas é muito rápido (o mesmo vale para Torres del Paine). Então vai preparado pra ela e pra muita instabilidade. E pro vento também.

      E mesmo sendo verão, vocês podem pegar uns dias frios, mas um blusão mais quente, quem o casaco, vai dar conta. Não precisa nem ser de fleece, mas se tiver essa opção, melhor!

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      • dezembro 5, 2017 em 8:02 am
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        Opa, muito obrigado pelo retorno, vamos levar em consideração suas dicas sim. Bacana, acho que a experiência do imprevisível no caso o tempo instável é uma das coisas mais legais, pois a qualquer momento tu pode se surpreender. Obrigadão Henrique, tudo de bom!

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  • outubro 8, 2017 em 9:30 am
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    Ótimo relato. Muito explicativo. Estou planejando conhecer a patagônia em janeiro. Ajudou bastante.

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