O que fazer em Torres, praia mais bonita do Rio Grande do Sul

torres rio grande do sul

A cidade de Torres, que faz divisa entre os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, é considerada a mais bonita das praias gaúchas. Com suas falésias e morros, destoa do restante da faixa litorânea, plana e sem grandes elevações.

Neste artigo, vamos falar sobre o que fazer na Praia de Torres, como as trilhas do Parque da Guarita, o Morro do Farol, a Lagoa do Violão e os Molhes de Torres, onde o Rio Mampituba entra no Oceano Atlântico.

Torres, as falésias e as praias

morro praia da guarita torres rs

Torres é a praia preferida de muitos gaúchos e ponto de parada estratégico para muitos turistas argentinos e uruguaios que estão indo viajar para o litoral de Santa Catarina. Na baixa temporada, que vai de 1º de maio a 14 de dezembro, a cidade tem cerca de 30 mil habitantes, podendo chegar a 500 mil nos meses de janeiro e fevereiro.

Mesmo com esse grande aumento populacional, a cidade possui hoje toda uma estrutura preparada para receber esses turistas. Se fora do verão as temperaturas no Rio Grande do Sul não são tão quentes e acabam não encorajando muito os banhos de mar e de sol, a praia segue atraindo muitos pescadores, surfistas e amantes de outros esportes radicais, como o Rappel e os vôos de paraglider na baixa temporada.

Hoje, também acontecem alguns grandes eventos fora de época, como o Festival de Balonismo de Torres, que acontece geralmente em maio e é considerado o maior evento do tipo na América do Sul.

Como chegar em Torres

falésia torres rs

O aeroporto mais próximo de Torres é o de Porto Alegre, localizado a 190 quilômetros da cidade litorânea. De carro, são cerca de duas horas de viagem pela BR-101.

Da rodoviária de Porto Alegre, saem ônibus praticamente de hora em hora, entre às 6h30 e às 20h, com duração estimada de três horas de viagem. A passagem custa, em média, R$ 73, mas é possível encontrar poltronas promocionais comprando pelo site da Unesul, empresa que administra o trecho.

O que fazer em Torres

Confira aquelas atrações imperdíveis para quem visita Torres. Um detalhe: a cidade não é muito grande e todos os pontos ficam próximos um dos outros, sendo possível fazer tudo a pé ou de bicicleta!

O Parque da Guarita

Se Torres tem esse nome, é por causa das formações rochosas distintas existentes em sua faixa litorânea, a maioria delas protegidas pelo Parque Estadual da Guarita ou José Lutzemberger. Elas tem a mesma origem da Serra do Mar e dos cânions do sul: são resultado das erupções vulcânicas que aconteceram na época em que o continente americano se separou do africano. Com o passar dos séculos, essas rochas de basalto e arenito foram sendo esculpidas pela ação do vento e do mar.

Dentro do parque, estão três das quatro torres. A mais próxima da cidade e maior delas é o Morro das Furnas, ou Torre Central. As furnas são tuneis criados pela ação das águas, cujo acesso se dá principalmente por escadarias.

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Aqui, tenha cuidado: muitos desses locais são difícil acesso e as escadarias são extremamente íngremes. Então, se resolver acessar algum desses pontos, redobre a atenção. Também fique atento às ondas, que dependendo da época do ano, batem com força nas pedras e podem significar um risco.

Por cima do Morro, há um trilha cortando a torre de norte a sul, indo até uma escadaria que leva à praia da Guarita, onde está o Morro da Guarita ou Torre Central. Ao lado, com sua escadaria de 124 degraus, está a Torre Sul ou Morro de Itapeva.

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O parque não tem grades ou cercas e há diversas formas de acessá-lo. De carro, moto ou van, é preciso pagar uma taxa para o estacionamento. Já quem estiver a pé, pode entrar por trilhas que vem desde a Praia do Cal e a Praia de Itapeva, com ingresso gratuito. Importante ressaltar que, dentro do parque, o acesso ao cume dos morros e às trilhas só se dá a pé.

De maio a dezembro, o estacionamento e o atendimento operam das 8h30 às 17h30 e, entre 15 de dezembro a 1º de maio, das 8h às 20h.

O Morro do Farol

morro do farol torres

Chamado também de Torre Norte, o Morro do Farol é o única das falésias que permite que veículos motorizados acessem o cume, perfeito para pessoas que tem problemas de locomoção. Também é o morro mais alto, permitindo uma vista em 360º de toda a paisagem.

Entre agosto e dezembro, é um ponto estratégico de avistamento das baleias francas, que vem da Antártica buscar águas mais quentes para reproduzir. Também é muito utilizado para saltos de parapentes e paraglider.

O Morro do Farol, que já foi um cemitério, teve seu primeiro farol construído em 1911. O atual farol foi construído em 1952 e funciona até hoje, com dupla função: também é base de observação de pesquisadores que estudam a baleia franca. Não há cobrança de ingresso.

As praias

torres rio grande do sul

De sul a norte, Torres tem cinco praias. A da Itapeva, ao sul do Parque da Guarita; a praia da Guarita, dentro do território do parque, a Praínha, a Praia Grande e a Praia dos Molhes, já na divisa com Santa Catarina. A Praia dos Molhes, da Guarita e da Itapeva são as preferidas para quem gosta de surfar e pescar.

Já as Praia do Cal e a Praia Grande são indicadas para quem quer se jogar na areia e pegar um sol.

Gruta da Santinha

gruta da santinha torres

Entre a Prainha e a Praia do Cal, há um calçadão que contorna a base do Morro do Farol, chamado de Caminho da Santinha. Quase no meio do caminho, há uma gruta com a imagem de Nossa Senhora Aparecida, onde devotos fazem preces e depositam objetos em agradecimento.

Os Molhes da Barra

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Os molhes foram construídos na década de 70 para facilitar a saída dos barcos pesqueiros do rio Mampituba ao mar. Hoje, continuam tendo essa função, também sendo muito utilizados por pescadores da região. Já os faróis, em ambas as extremidades, viraram ponto turístico. Aqui vai uma dica: é muito, mas muito mais difícil chegar no extremo do Molhe de Torres que o do Passo de Torres.

Caminhando pelas margens do Rio Mampituba, em direção oposta ao mar, chega-se na Ponte Pênsil, uma lembrança das frágeis pontes que ligavam as duas margens do rio e que precisavam ser reconstruídos de tempos em tempos.

A igreja de São Domingos

A Igreja de São Domingos começou a ser construída no Morro do Farol em 1819. Ali perto havia um forte e uma prisão, e forma principalmente os prisioneiros do lugar que levantaram o primeiro prédio, concluído em 1824. A partir da fundação da igreja, que Torres começou a se desenvolver, na época com cerca de 500 habitantes.

igreja de são domingos torres rs
Foto: Ricardo André Frantz, Wikicommons

Conforme a cidade crescia, a construção, até então em um estilo barroco tardio, foi crescendo, ganhando uma torre, campanário e detalhes em estilo neoclássicos e neogóticos. É a segunda igreja mais antiga do litoral norte. Foi reinaugurada em 2017, depois de passar por um processo de restauração que durou seis anos.

Ao lado direito da igreja, um tanto escondida, está a primeira casa construída em Torres, chamada de Casa nº 1. O Imperador Don Pedro I se hospedou nela por duas oportunidades. Ela é propriedade particular e não está aberta à visitação.

A Lagoa do Violão

lagoa do violão torres

A Lagoa do Violão fica próxima ao centro da cidade e é um importante ambiente de preservação urbano. Se as onças e jacarés que tomavam banho de sol em suas margens não estão mais por aqui, aves marinhas, jabutis e peixes continuam encontrando um espaço para descansarem e se desenvolverem.

Muitos defendem que o nome não vem apenas da forma original da lagoa, muito semelhante ao corpo de um violão. Segundo a lenda local, há séculos atrás, um navio naufragou perto da costa de Torres. Um único tripulante conseguiu sobreviver, graças ao auxílio de seu violão. Ele acabou sendo capturado por uma tribo indígena, que ficou encantada com seus dons musicais.

A tribo acabou sacrificando o náufrago e transformando seu corpo em uma pasta, acreditando que, ao passá-la em seus corpos com um ritual, iriam adquirir as habilidades do músico. A filha do chefe da tribo, que havia se apaixonado pelo jovem, não suportou a dor de perdê-lo. Agarrada em seu violão, chorou por dias, semanas e meses, e das suas lágrimas surgiu a lagoa que existe até hoje, próxima a costa de Torres.

O Museu da Cidade de Torres

Museu da Cidade antiga prefeitura Torres

Nunca consegui visitar o Museu da Cidade de Torres, que consta estar aberto de segunda a domingo, das 13h às 19h. Ele funciona em um prédio construído na década de 40 para ser prefeitura da cidade, função que desempenhou até 2016.

Hoje, recupera histórias e objetos, como a primeira mesa de reuniões da cidade e objetos de um barco do Hawaí que naufragou na Ilha dos Lobos. A entrada é franca e, ao lado, há uma bonita vista para Lagoa do Violão.

Ilha dos lobos

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Foto: Andrea Hilgert, WikiCommons

A Ilha dos Lobos pode não ser grande, mas ganha valor por ser a única ilha marítima do Rio Grande do Sul e um espaço de descanso para leões e lobos marinhos, que acabou virando uma unidade de conservação – a menor do litoral brasileiro.

A ilha fica a cerca de dois quilômetros da costa e não é permitido desembarcar nela, somente aproximações de longe. Os leões e lobos marinhos aparecem principalmente entre abril e dezembro

As embarcações saem dos molhes, com preço médio de R$ 30 por pessoa.

Onde se hospedar em Torres

Em Torres, há uma infinidade de campings, pousadas, hosteis e hotéis. Para quem quer um pouco mais de conforto sem gastar muito, nós recomendamos o Recanto da Praínha (Clique aqui para ver reservas e descontos), que fica ao lado da Igreja São Domingos, a duas quadras da Prainha. O local é bem limpinho, os funcionários são super amigáveis e o café-da-manhã é espetacular, estando mais para um brunch! Na baixa temporada, pagamos R$ 120 um quarto para duas pessoas.

A pousada oferece estacionamento coberto gratuito e disponibiliza guarda-sóis, cadeiras e outros objetos para quem quiser ir à praia.

Melhor época

Por estar no litoral do Rio Grande do Sul, Torres não apresenta temperaturas extremas nem no verão nem no inverno. Mas se seu objetivo for curtir uma praia, o verão é, sem dúvida, o melhor período para conhecer a cidade.

Durante o inverno, as temperaturas ficam em torno de 20º, com um vento que baixa ainda mais a sensação térmica. As águas do Atlântico, nessa faixa litorânea, também são bem frias, amenizando no verão.

Roteiro em Torres

Para conhecer as atrações que trouxemos no artigo, seriam necessários, pelo menos, um dia e meio. Nossa sugestão:

Dia 1

Manhã – Prainha, Praia do Cal e Parque da Guarita
Tarde – Praia Grande, Molhes da Barra e Ponte Pênsil

Dia 2

Manhã: Morro do Farol, Igreja de São Domingo, Museu da Cidade de Torres e Lagoa do Violão
Tarde: Livre

Sobre a cidade gaúcha de Torres

Desde antes da chegada dos europeus, Torres era considerado um território estratégico. Os índios já haviam aberto diversas trilhas do norte ao sul que passavam pelas torres rochosas. Diferente do restante do litoral gaúcho e das praias do sul de Santa Catarina, com uma ampla faixa de areia , a geografia desta parte do território “afunila” por causa da Serra do Mar, tornando um ponto de passagem para quem queria seguir pelo litoral, sem subir e descer diversos cânions.

Em 1777, a coroa portuguesa teria instalado os primeiros dois canhões no topo do Moro da Guarita. Vinte anos mais tarde, criava um posto militar de pedágio no local, fortificando suas instalações e iniciando o povoamento oficial da que séculos mais tarde seria a cidade de Torres.

Henrique Lammel

Jornalista e produtor de conteúdo

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