Tapes (RS): a travessia à beira da Lagoa dos Patos

O trekking do Pontal de Santo Antônio é uma oportunidade única de se conviver, mesmo que por alguns dias, com a Lagoa dos Patos. Maior laguna da América Latina, tem 265 quilômetros de comprimento e 60 de largura.

O Pontal de Santo Antônio fica na Praia do Birú e está a cerca de 30 quilômetros do centro de Tapes, cidade de pescadores com 15 mil habitantes. É a área extrema de um trecho de terra que avança laguna a dentro e forma o Saco de Tapes. É como se fosse uma uma terceira margem da Lagoa.

Mapa

Animais silvestres, como tatus, capivaras e graxains, vivem na região. Os moradores garantem que existem jacarés no Pontal (não se preocupe, eles só atacam se estiverem chocando ovos!).

Grande parte da vegetação nativa desapareceu para dar lugar a extensas e antigas florestas de Pinus, que formam tapetes, no chão, com suas folhas e galhos. Porém, ainda é possível ver cactus com mais de três metros de altura e comer butiás direto do pé.

Veja como foi a trilha realizada em março de 2016

– Não deixe lixo por onde passar, sempre recolha tudo e leve de volta consigo.

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1º Dia – Da rodoviária de Tapes à Praia de Fora

Da rodoviária, já se sai caminhando. É possível conhecer um pouco o centro antigo de Tapes. O município foi fundado em 1808 e ainda preserva parte da arquitetura da época. Após passar uma ponte, chega-se ao balneário Pinvest e à beira da Lagoa dos Patos e ao primeiro obstáculo, o Rio Jacarezinho, que barra a passagem.

Há duas opções para atravessá-lo: tirar as botas e cruzar o Jacarezinho pela orla da Lagoa ou quebrar a esquerda e caminhar uns 100 metros. É preciso entrar em um terreno da prefeitura, pelo menos é que diz uma placa na entrada, falando sobre a importância da preservação ambiental. Nesse terreno, dois galhos viraram uma ponte improvisada.

Seguir pela orla encurta o caminho. Porém, dependendo do calor e do sol, a melhor rota é continuar floresta de pinus a dentro e caminhar pela sombra. O problema são os diversos banhados, que se espalham pela mata e forçam que se contornem eles ou se desvie da rota, principalmente se os dias estão chuvosos. Há uma trilha pelo meio da floresta, que fica indistinguivel em vários pontos.

Diversos canais cortam o terreno, de forma que a melhor passagem é por uma porteira vermelha, próxima a orla, por onde a uma ponte. Seguindo pela trilha, alguns quilômetros à frente, fica a casa de um pescador. É possível seguir pelo caminho, que irá levá-lo à Praia de Fora.

A Praia de Fora

Essa região já se encontra no estreito e atravessar para o outro lado da Lagoa, até a Praia de Fora, é questão e minutos. Muitas vezes, os banhados da trilha transbordam, dificultam a passagem e forçam a travessia. Uns dez minutos após a porteira vermelha, é possível cruzar em direção a Praia de Fora por uma estrada que se alonga pela mão esquerda (não há outra). Porém, o caminho pela margem de fora pode ser mais difícil. A tendência é que esteja ventando muito mais desse lado da Lagoa.

A chegada à Praia de Fora acontece após cinco ou seis horas de caminhada. A paisagem é contraditória: muito lixo trazido pelas correntezas e as árvores de pinus que avançam pela areia. Tombadas, dão um tom apocalíptico ao cenário. Hora de procurar um lugar para dormir no maior camping de Tapes.

A dica é buscar uma duna mais alta. Tente usar árvores para proteger a barraca do vento, que vai ser seu amigo nessa travessia. Todas as vezes que busquei regiões mais baixas para acampar, fui comido pelos mosquitos. Para fixar bem a barraca, utilize gravetos e pedras para reforçar a montagem da barraca, ou então estacas em V.

2º dia – Pontal de Santo Antônio

A orla da Praia de Fora será nossa companhia no segundo dia. Em um dia com boa visibilidade, é possível ver alguns morros em Mostardas e Viamão, no horizonte. A floresta de pinus acompanha o trajeto ainda por alguns quilômetros até um trecho onde só há areia e dunas.

O Pontal de Santo Antônio fica depois de outra pequena floresta de pinus. Há uma quantidade enorme de aves por ali, a 25 quilômetros de qualquer forma de civilização. Só não dá para relaxar muito, dizem que por ali vivem os jacarés.

Depois de descansar, é hora de voltar.

3º dia – Retorno

Agora, é fazer o mesmo caminho que se fez na ida. Chegando em casa, depois de tomar tanta água da Lagoa dos Patos, tomar um vermífugo é prioridade!

Filtre a água

Se você não tiver um filtro, a água da Lagoa deve ser fervida e, logo após, utilizar uma pastilha de cloro. Também é possível usar um pano como filtro para impedir a entrada de barro e partículas menores na água.

Dicas

– Deixar a barraca firme na areia pode ser complicado. Vá com estacas maiores ou utilize gravetos e troncos para prendê-la. Cordas podem ser úteis.

– Não deixe nenhum alimento exposto. Existem animais silvestres e é bem possível que você se depare com um graxaim. Não se assuste se o entorno do acampamento estiver cheio de pegadas no outro dia de manhã.

– Se você quiser diminuir a distância do percurso, pode fazer o trajeto até o Balneário Pinvest de táxi ou carro. Outra opção é ir de barco até o pontal e fazer apenas o caminho de volta a pé. Não é difícil conseguir a carona, o que não faltam são anúncios pela cidade de Tapes sobre passeios de barco.

Como chegar

De Carro: Tapes, no Rio Grande do Sul, fica a 103 quilômetros de Porto Alegre. Basta pegar a BR-116 para chegar a cidade.

De ônibus: Há ônibus saindo em pelo menos cinco horários diferentes, que realizam o trajeto na baixa temporada, saindo de Porto Alegre. São cerca de duas horas de viagem. Durante o verão, a frequencia aumenta.

Trekking Pontal de Santos Antônio

Dificuldade: Moderada (em dias quentes, como no verão, classificaria como difícil)
Duração: Três dias
Distância: Cerca de 60km com saída na cidade de Tapes
Custo: R$ 50 (passagem de ida e volta entre Porto Alegre e Tapes)
Condição da trilha: Impossível de se perder

 

Um comentário

  1. Valeu, Henrique!! Em dezembro farei os 2. Depois te passo um feedback. Em setembro fiz o trekking 10 cânions do sul com o Tiago korb do clube trekking Santa Maria, 132 km em 6 dias. Foi top !!
    Sou de poa, por isso sou meio “espiado” nesse lance de segurança.

    Abraço, bruxo 🙂

      • Valeu, bruxo !! Tinha lido em algum lugar.
        A propósito, tu achas que pode ser perigoso em termos de gente má intencionada? Nesse trekking e naquele das cumeeiras? É que pretendo fazer sozinho.

        Abraço e continue o belo trabalho !

        • Não acredito, só se tu tiver muito azar. O Morro do Forno é super retirado, pouca gente vive lá e todo mundo se conhece. Claro que tem alguns problemas, mas gente má intencionada, não creio.

          Tapes já é mais próxima de Porto Alegre e mais fácil de chegar, não é difícil passar por um grupo de motoqueiros na praia. Mas pessoal que gosta de fazer isso, faz pra se divertir e não vai querer arranjar problemas.

          Se tu fizer sozinho, deixa alguém avisado, não custa 😉

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